Cultivo do trigo está emperrado no Paraná
5 de março de 2010

Produtores de trigo do Paraná estão acompanhando passo a passo o andamento da safra na Argentina. Se ocorrer a quebra que é esperada por lá, pode ser que os agricultores daqui se animem a investir mais no cultivo do grão.

O trigo colhido no ano passado ainda lota os silos da cerealista. São 30 toneladas de grãos. É o dobro do que havia nos estoques nesta mesma época em 2009. A grande dificuldade até dificulta a armazenagem da nova safra de soja, que já está no campo.

“Na verdade, o trigo é do produtor. Ele está aguardando para ter uma definição de preços melhores. Como não tem liquidez, ele prefere aguardar mais três ou quatro meses”, disse Valmir Adamante, supervisor da cerealista.

Há 12 anos o agricultor Paulo Orso cobre com trigo no inverno a área recém-colhida de soja. Desta vez, ele ainda não comprou sementes nem insumos. Está indeciso se planta ou não. Ele ainda tem metade da safra passada guardada em silos. Quatro mil sacas estão encalhadas.

Se nem os estoques da safra passada estão sendo vendidos, fica mais fácil compreender a insegurança do agricultor para plantar uma nova safra. O único fator que ainda serve de incentivo é a queda na produção de trigo dos nossos maiores concorrentes.

“Se a queda na Argentina repercutir na nossa safra num mercado um pouco mais favorável, nós teríamos uma margem para que a gente pudesse trabalhar. Não é nem para se ganhar muito, mas pelo menos para não se perder”, disse Orso.

Os vizinhos argentinos devem colher oito milhões de toneladas. É menos da metade do que costumavam produzir há dois anos. Como os hermanos sempre encheram os moinhos brasileiros com trigo mais barato do que o nacional, não é a toa que o produtor brasileiro repita no campo a clássica rivalidade do futebol. É torcida contra mesmo.

“A Argentina tem cota de exportação para outros países. Provavelmente, as cinco milhões de toneladas que o Brasil importa da Argentina não terá disponibilidade. Então, o Brasil vai ter de buscar outras fontes. Nós temos toda estrutura, toda capacidade, toda viabilidade de produzir. É só uma questão de decisão política”, falou Modesto Daga, agrônomo.

Na região oeste do Paraná, o trigo no balcão está fora de mercado desde o início do ano. Já no mercado de lotes para trigo superior, o preço hoje gira em torno dos quatrocentos e dez reais a tonelada.

Globo Rural

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