Chuva e aumento da temperatura provocam queda na produtividade da soja
26 de fevereiro de 2010

O produtor Fernando Muraishe plantou no ano passado 250 hectares de soja e agora a chuva esta atrapalhando a colheita. Sem condições no campo, a máquina fica parada no barracão. “Ela não esta apta para colher. Se for colher agora vai desperdiçar grãos, melhor esperar o sol para ficar seca a vagem e o grão”, diz Muraishe.

Para não perder tempo o produtor está plantando milho safrinha. A chuva que atrapalha a colheita também fez cair a produção. No ano passado, Fernando colheu 730 toneladas. Este ano espera colher 650, 11% menos. “Este ano, a gente espera colher mais devido ao decorrer do tempo até melhor em relação ao ano passado de chuvas, mas a gente tem visto que a media de produtividade caiu este ano”, afirma Muraishe.

O engenheiro agrônomo Renato Massaro do sindicato rural de Guairá explica que, no final do ano passado, a chuva fora de época na região antecipou o plantio, o que não foi um bom negócio. Além disso, mudanças no clima, contribuíram para a queda na produção.

“Infelizmente nessa época de outubro, novembro houve um acréscimo da media noturna da temperatura. A soja é uma cultura que tem foto período então ela sentiu essa alta temperatura. Em na nossa região foi 3 graus acima da media. Teve um porte menor e conseqüentemente houve uma perda de produtividade”, explica Massaro.

Apesar da queda de produção por área plantada não devera faltar soja no mercado. Isso porque no ano passado o custo de produção do milho subiu muito por causa dos insumos e 8% das lavouras de milho foram substituídas por soja. Portanto o setor espera uma super safra este ano e conseqüentemente a queda no preço do grão.

“Em julho todo produtor já começa a definir o que vai ser plantado na cultura de verão. Este ano aconteceu que todo mundo começou a fazer as cotações de insumos e a opção em termos de preço seria o mais viável a cultura da soja”, diz Massaro.

Uma cooperativa, que tem 25 unidades em SP, MG e GO espera receber 600 mil toneladas de soja este ano. Os primeiros lotes estão chegando. Depois de testes em laboratório a soja aprovada é encaminhada a produção de farelo - para ração animal e óleo para indústria alimentícia e biodiesel.

Parte das sementes é beneficiada e será usada no plantio da próxima safra. O gerente financeiro da cooperativa José Renato Nóbrega de Almeida acompanha a preço da soja na bolsa de Chicago, referencia no setor. Ele diz que o Brasil terá safra recorde este ano e o preço do grão vai melhorar a partir do próximo semestre.

“Esse ano nós vamos ter uma safra recorde no Brasil de aproximadamente 66 milhões de toneladas de soja e também na nossa vizinha, a Argentina que deve chegar 53 milhões de toneladas de soja. É uma safra recorde. Nós acreditamos que a demanda global vai continuar forte principalmente na China e isso deve fazer com os preços da soja subam no segundo semestre”, conclui José Renato.

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