As mudanças no setor de Fertilizantes em 2010
17 de fevereiro de 2010

O ano de 2009 e o início deste ano de 2010 foram surpreendidos com mudanças importantes no setor de fertilizantes no Brasil. Certamente ainda são reflexos da crise internacional que afetou todos os segmentos econômicos, o setor sentiu particulares prejuízos, pois além de todas as implicações da crise financeira e de crédito, registrou-se queda considerável de preços provocando polpudas perdas ao segmento de mistura e distribuição que ficaram com o mico das aquisições com preços altos tendo que vender a preços menores.

Os números individuais das empresas estão sendo divulgados de forma diferentes, até porque os critérios de absorção desses prejuízos foram os mais variados, entretanto, se forem verdadeiras as informações de que quando começaram a cair os preços das matérias-primas os misturadores no Brasil dispunham de 7 milhões de toneladas em estoques, por baixo significou um prejuízo de US 2,8 bilhões.

É muito dinheiro para um só segmento da economia. A conseqüência não poderia ser outra. Muitas empresas desesperadas tiveram que vender os adubos a preços aviltantes, fora da realidade de custos, não apenas a nova situação do mercado, mas também abaixo dos preços atuais. Com isso somaram prejuízos ainda maiores, comprometendo a solidez de muitas delas, e provocando mudanças radicais entre as grandes empresas do setor no Brasil. Quem saiu ganhando momentaneamente com isso, foi os agricultores e as cooperativas que conseguiram compras mais barato o fertilizante em 2009.

As pequenas misturadoras estão paralisadas, sem crédito para comprar matéria prima. As médias tiveram que lançar mão dos seus capitais e reservas acumuladas para não sucumbirem e as grandes empresas multinacionais do setor iniciaram o processo de desmanche de suas estruturas e vendas dos seus ativos, saindo da atividade. Embora não se afirme abertamente, essa é uma das razões da Bung, por exemplo, que era líder de produção e venda no Brasil, vender seus ativos à Mineradora Vale, e com isso iniciando o processo de afastamento do setor de fertilizantes no Brasil.

Outra grande empresa, a Iara, dona da marca Adubos Trevo, também está recolhendo seu time de campo e ficando com apenas 5% das fórmulas que produzia, praticamente com aquelas de produção exclusiva, para não perder mais nessa atividade. Consta que perderam cifras astronômicas nestes dois anos de 2008 e 2009. Não escapou ninguém dos prejuízos.

A Fecoagro e suas cooperativas associadas à indústria de fertilizantes de São Francisco do Sul passaram ilesas no processo. Não apresentaram resultados positivos expressivos, porém, também, não arcaram com prejuízos. Muito mais fruto da cautela e cuidados com formação de grandes estoques, do que pela competência operacional ou bola de cristal. O que ocorreu no mercado foi simplesmente surpreendente. A partir desse ano um novo desenho deverá ocorrer no setor de processamento de fertilizantes e por enquanto é prematuro prever, mas certamente para as empresas que sobreviveram continuarão atuando, e as oportunidades deverão ser melhores, e quem sabe se possa continuar canalizando vantagens para os agricultores de SC e do Brasil. Pense nisso.

Fecoagro - Santa Catarina

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