Qual o futuro do milho?
15 de fevereiro de 2010

O milho verão resistiu às intempéries do clima e a produtividade deve ser boa no Paraná, embora a área plantada tenha diminuído 30% em relação à safra passada, registrando agora 893 mil hectares. Segundo levantamento da Secretaria do Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), até o início desta semana, o Paraná tinha colhido 10% do milho, com expectativa de produção de 6,3 milhões de toneladas, em torno de 6% abaixo da última safra. Para os produtores, o preço - entre R$ 14 e R$ 15 a saca de 60 quilos - é fator de desestímulo.

Segundo Margorete Demarchi, engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab, um dos motivos são os altos estoques nacionais do cereal, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) o país vai encerrar as duas safras - verão e safrinha - com 8 milhões de sacas estocadas. A situação é resultado da safra recorde em 2008, quando o mercado não absorveu a super oferta.

Agora, o comportamento dos preços depende da produção do milho safrinha. No Paraná, o plantio já começou em 10% do Estado, segundo a Seab. A expectativa é que a área plantada fique em 1,4 milhão de hectares, 7% menor do que a safra de 2009. A produção é estimada em 6 milhões de toneladas, um volume 35% superior ao da safra passada, quando as lavouras sofreram com a estiagem.

''Pelo clima favorável, tudo indica que o produtor vai plantar e teremos boa oferta do safrinha. Se isso acontecer, continuaremos com estoques lá em cima. Então, os preços só poderão melhorar se a demanda reagir de duas formas: com o aumento das exportações e o crescimento, no mercado interno, do segmento de aves e suínos'', analisa Lucílio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Margorete Demarchi, da Seab, destaca que a situação dos preços depende muito da produção do Mato Grosso. ''Além do clima, que deve ser bom para eles, o governo atua naquele Estado com medidas de comercialização'', avalia. Ela lembra que o Paraná é líder na produção de milho do Brasil, mas nos últimos três anos perdeu para o Mato Grosso o posto de maior exportador.

Custo de produção

Segundo o Cepea, os preços do milho nas principais regiões produtoras do Brasil chegaram aos menores níveis desde julho de 2007 - em termos nominais. Isso significa aos produtores perda dos ganhos obtidos com a alavancagem das exportações desde o segundo semestre de 2007.

Os atuais preços de venda do milho, conforme os pesquisadores, ficam abaixo do custo de produção em praticamente todas as regiões brasileiras. No Paraná, cálculos do Cepea apontam para custos operacionais próximos de R$ 19/saca na região de Cascavel, para uma produtividade de 61 sacas por hectare. Nesta semana, o preço médio de venda ficou em R$ 14,31/saca. O órgão não tem dados atualizados sobre as demais regiões do Estado. ''Mas não deve ser muito diferente disso'', diz o pesquisador Lucílio Alves. Os custos operacionais levam em conta insumos, mão de obra, óleo diesel, seguro, entre outros.

Para aqueles que plantarão milho, fica a expectativa de que o clima favoreça uma boa produtividade, de que as aquisições de insumos sejam feitas de forma adequada e de que a demanda aumente. Esses fatores poderiam contribuir para melhorar a rentabilidade da cultura, avaliam os pesquisadores. A média de produtividade no Paraná, segundo a Seab, é de 120 sacas/hectare para o milho verão e 70 sacas/hectare para o safrinha.

Gisele Mendonça


Folha de Londrina

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