Mais café no dia a dia do brasileiro
11 de fevereiro de 2010

O brasileiro está tomando mais café. Entre 2008 e 2009, o consumo saltou de 17,65 milhões para 18,39 milhões de sacas - um crescimento de 4,15%. O consumo per capita, de quase 78 litros por pessoa por ano, já supera os índices da Itália e da França. Os dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) mostram um bom momento para as cafeterias. Seja no modelo de franquia ou no formato tradicional, esse tipo de negócio ganha força nas cidades de porte médio, assim como já acontece nos grandes centros.

Além do espresso e do tradicional cafezinho coado na hora, as cafeterias servem a bebida de forma diversificada, incluindo os cappuccinos e as opções geladas. A variedade, aliada a um cardápio de salgados e doces, garante o movimento dos estabelecimentos durante o ano todo. ""Hoje, o clima quente não é um problema para o nosso negócio. Estamos dentro de um ambiente climatizado e temos opções de cafés gelados, que atraem bastante os clientes"", observa José de Oliveira Borges Neto, sócio-proprietário da Confeitaria e Café Royal.

Ele assumiu o negócio há cerca de dois anos e neste período o faturamento cresceu entre 70% e 80%, superando as expectativas. O ticket médio (valor médio de compra por cliente) é de R$ 20. A cafeteria já existia, mas foi readequada. Antes, Borges Neto trabalhava com comércio de café e levou para o seu negócio a experiência adquirida no contato com diversas cafeterias. ""Passamos a fazer atendimento nas mesas e implementamos o cardápio, com o capuccinno gelado, que hoje é um sucesso. Por ser feito em máquina frozen, fica mais gelado e homogêneo"", conta.

Ele também implementou o cafezinho coado, hábito que o londrinense ainda conserva. Neste caso, a bebida é feita a cada meia hora para que não haja alteração no sabor. Mas o espresso também vem subindo na preferência. ""Há uns oito anos era difícil convencer alguém a tomar um café espresso. As máquinas não tinham boa qualidade e as pessoas não sabiam tirar o café. Hoje, já existe o hábito, mas a cidade ainda não tem a cultura do espresso"", repara o comerciante, que trabalha com café 100% arábica.

O ponto do comércio também é fundamental. ""Para sobreviver, o negócio precisa de fluxo de pessoas. Outro aspecto, é ter qualidade, porém, sem muita sofisticação. Londrina já teve cafeterias sofisticadas que não sobreviveram. A realidade de mercado é diferente da de São Paulo"", avalia

Simplicidade

O casal Marlene Serafim Moreno e André Moreno apostou numa cafeteria para realizar o sonho do próprio negócio. Há cerca de dois meses eles abriram em Londrina uma loja do Café do Feirante, franquia que surgiu em Marília, interior de São Paulo. O embrião do negócio surgiu há muitos anos por meio de um produtor de café que vendia a bebida numa banca de feira.

""Conheci a franquia e me encantei, pois tudo é muito simples e saboroso. Como Marília, que é uma cidade bem menor que Londrina, comporta cinco unidades, pensei: "por que não trazer uma para cá?""", conta Marlene. O clima de simplicidade começa no ambiente, decorado com móveis de madeira de demolição, e passa pelo atendimento, sugerindo que os clientes sejam chamados pelo nome.

No cardápio não existe nomes complicados e nem muitas opções que deixem o consumidor em dúvida. O carro-chefe é o café gelado (Feirantino), feito em máquina frozen, e que acompanha chantilly. A loja oferece uma pequena dose como cortesia para quem não conhece a bebida. Eles trabalham com café 100% arábica. Há dois tipos de espresso: um mais forte e outro mais suave. O cafezinho simples também está presente, sendo coado de hora em hora. Entre os lanches, bauru original (com rosbife), pão com mortadela, pão com linguiça, entre outros na linha simples. A loja também agrega produtos mineiros como bolachinhas, goiabadas, geléias, doces em copota e café moído.

O ticket médio é entre R$ 8 e R$ 9 e os empresários estão animados com as vendas. ""É certo que vamos sentir o mercado mesmo só depois do Carnaval, mas por enquanto está muito bom. O pessoal tem elogiado bastante a proposta do negócio e voltado para consumir"", diz Marlene. ""As pessoas hoje estão consumindo mais café. Fizemos pesquisa para escolher o ponto e apostamos nesta franquia pela novidade que ela traz"", completa André. A estimativa é que o retorno do investimento de mais de R$ 200 mil venha no prazo de dois a quatro anos.

Gisele Mendonça

Folha de Londrina

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