Milho: produção evolui, mas com base na safrinha
9 de setembro de 2008

Os primeiros levantamentos de intenção de plantio da safra 2008/2009 já indicam que, ao lado do algodão, o milho deve ter sua área de cultivo reduzida na primeira safra, o que – conforme o índice de redução da área, a utilização de insumos e o comportamento do clima no período – pode redundar em produção menor que a de 2008. Mas – pergunta-se – essa redução de área representa novidade?

Pelos dados da CONAB, nos últimos 30 anos a produção brasileira de milho mais do que triplicou (255% de aumento), passando de 16,5 milhões de toneladas em 1979 para perto de 58,6 milhões de toneladas neste ano. E isso resultou, quase exclusivamente, do aumento de produtividade, porquanto a área cultivada no período registrou aumento de apenas 30% - de 11,3 milhões de hectares para 14,7 milhões de hectares.

Mas o grande detalhe que esses números escondem é o de que a maior produção da safra principal é devida, apenas e exclusivamente, a ganhos de produtividade, visto que, no período analisado, enquanto a produção aumentou 142%, a área cultivada retrocedeu, caindo quase 15%.

E de onde vem a diferença em relação aos totais? Da safrinha. Que, inexistente em 1979 (pelo menos nos números da CONAB), neste ano está respondendo por quase um terço da produção brasileira de milho. E embora o cultivo da safrinha seja menos produtivo que o da safra principal (em 2008, pelos dados da CONAB, 4.134 kg/ha na 1ª safra; 3.694 kg/ha na safrinha), é possível constatar que o produto da safrinha na atual safra (18,664 milhões de toneladas) superou em 13% a produção brasileira de 1979, mas ocupou apenas 44% da área original (11,3 milhões/ha em 1979; 5 milhões/ha em 2008). Mais uma demonstração de que os ganhos são, essencialmente, de produtividade.

O único senão em toda essa história está na origem desse aumento de produção, particularmente concentrado na safrinha. Pois se a safra principal de milho é de risco (como toda safra agrícola, qualquer que seja o produto), a safrinha sempre foi, é e será de altíssimo risco. E um país que necessita dessa produção para, por exemplo, manter-se na liderança das exportações mundiais de carne de frango, não pode viver sob essa contingência.
Em suma: ainda que a área cultivada com milho safrinha continue crescendo, a produção esperada continuará sob risco. Por isso, o País precisa encontrar mecanismos que estimulem maior evolução da safra principal. Em produtividade, mas também na área cultivada.
 


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