Petrobras não crê em interrupção do envio de gás boliviano
9 de setembro de 2008

A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou nesta segunda-feira que acredita no "bom senso" das autoridades bolivianas, e que não está preocupada com a possibilidade de que haja interrupção no fornecimento diário de cerca de 31,74 milhões de m³ do gás boliviano para o País.

Graça Foster lembrou que o único problema no fornecimento do gás boliviano para o Brasil aconteceu há dois anos e foi por razões climáticas: as chuvas provocaram deslizamento de terra que descobriu dutos da companhia em solo boliviano.

"Preocupados com a Bolívia, eu diria que nós não estamos, porque eu acredito absolutamente no bom senso. Eu não conheço supridor mais confiável do que os bolivianos. Eles são precisos", afirmou.

De acordo com a diretora, a instabilidade política existente atualmente na Bolívia, com a oposição ao governo do presidente Evo Morales ameaçando interromper o fornecimento de gás para o Brasil, é um problema interno do país.

Graças Foster admitiu que a estatal brasileira não tem um plano B para o caso da suspensão do fornecimento do gás ao Brasil.

"Não tem um plano de contingência montado especificamente para essa situação da Bolívia, porque até a presente data não há nenhum sinal de que eu tenho que partir para ele", disse.

O diretora afirmou ainda que, em caso da falta do gás proveniente da Bolívia, a Petrobras não teria como utilizar as plantas de gás natural liquefeito (GNL) de Pecém, em Pernambuco, e da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

"Se houver problemas, não teria como utilizar o terminal de regaseificação da Baia de Guanabara, em fase de ajustes, para entrar em operação em novembro e dezembro deste ano. Pecém também não porque não tem como o GNL subir para atender o Sul ou descer para o Sudeste. Isso só será possível com a entrada em operação do Gasene, em março de 2010. Então o gás não tem como chegar lá em cima, nem descer aqui para o Sudeste", disse.

A diretora lembrou que a situação dos reservatórios hoje é tranqüila, o que permitiria à estatal trabalhar da melhor forma os dois mercados (o térmico e o não-térmico).

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