Selo aumenta em até 15% o valor da cachaça mineira
1 de fevereiro de 2010

Certificado é emitido por instituto de agropecuária e leva em conta a higiene e produção
Do jornal Hoje em Dia

A certificação da cachaça mineira, por meio do selo do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) aumenta em até 15% o valor comercial do produto, segundo Rodrigo Carvalho, fiscal agropecuário do instituto.

- O programa aumenta a competitividade dos produtores, garante sua qualidade e propicia boas opções aos consumidores.

Para o produtor de cachaça orgânica Geraldo Maia da Silva, 57, a participação do IMA foi fundamental para a valorização do seu produto. Produtor há mais de 25 anos, ele herdou a profissão do bisavô. Hoje, a cachaça Ferrador, produzida em Divinópolis, no Centro-Oeste do Estado, é atestada como a primeira cachaça orgânica certificada do Estado.

- Minha cachaça aumentou o preço no mercado em 70% em pouco mais de dois anos. A certificação fornecida pelo IMA não só concede um status para a cachaça, mas também melhora o conceito e aumenta a segurança do cliente, que sabe que está consumindo um produto de qualidade.

A produção anual da cachaça Ferrador é de 3.000 garrafas, considerando o montante que é exportado.

- Além de Divinópolis, onde a minha cachaça é comercializada, tenho revendedores em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. Com meu produto atestado, consegui parcerias na iniciativa privada para trabalhar com exportações para os Estados Unidos.

Na produção feita no alambique o produtor faz o processo de envelhecimento da cachaça, além do condicionado em tonéis de carvalho legítimo, responsáveis pela cor dourada da pinga. Em Divinópolis, a garrafa de 700 ml da cachaça Ferrador é comercializada por R$ 59.

O produtor de cachaça Arcendino de Freitas Filhos, 42, do município de Cláudio, Centro-Oeste mineiro, se profissionalizou há 14 anos e recebeu o credenciamento do IMA no ano passado.

- Esse selo do Instituto vai servir para separar o produto de boa qualidade do produto de qualidade duvidosa. Eu espero, a longo prazo, conseguir um aumento de 20% no preço do meu produto no mercado.

Arcendino conta que recebeu toda a orientação do IMA, e seu produto foi certificado como SAT, o que permite a utilização de adubo químico. A garrafa de 700 ml de cachaça Ariana é vendida diretamente ao cliente, ao custo de R$ 10.

Certificação

No ano passado, das 133 marcas licenciadas pelo Projeto Estruturador Certifica Minas, 29 são cachaças orgânicas, produzidas sem a utilização de agrotóxico e adubos químicos, 74 são convencionais, e quatro são produzidas pelo sistema SAT, sem agrotóxicos, porém com adubos.

O programa de certificação de produtos agropecuários e agroindustriais do IMA é voltado para produtores de cachaça produzida artesanalmente, com fermento natural e destilada em alambique de cobre.

No momento de pedir a certificação, o produtor pode optar por um dos três sistemas produtivos da cana: o sistema orgânico (a cana deve ser cultivada sem agrotóxico e adubo químico); o SAT (não pode ter aplicação de agrotóxicos, e o uso do adubo químico é permitido); ou o tradicional (é permitido o uso de agrotóxicos e adubos químicos indicados para esta cultura).

O IMA emite o “Certificado de Processo: Cachaça Artesanal de Alambique”, “Certificado de Processo: Cachaça Artesanal de Alambique Orgânica” ou, ainda, o “Certificado de Processo: Cachaça Artesanal de Alambique Sem Agrotóxicos”. Com o certificado, o instituto autoriza a impressão do selo em função da estimativa de safra apurada nas auditorias e fornece o modelo e padrão de selo que deve ser afixado no produto.


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