Trator puxa setor de máquinas
27 de janeiro de 2010

Produtor de hortaliças em Piedade (SP), Gilberto Camargo aproveitou juro baixo e financiou 100% do trator comprado em julho do ano passado

O horticultor Josué Antonio Paes, de Piedade (SP), adquiriu seu primeiro trator "de verdade" no ano passado, em setembro. "Já tinha um trator, mas era usado e estava dando muito problema. Estava muito velho", diz ele, que possui 7 hectares. Paes comprou um trator de 75 cavalos. "O negócio foi vantajoso. Se eu comprasse à vista, pagaria mais de R$ 80 mil. Financiado, o valor do trator caiu para R$ 69.800, com uma taxa de juro ao ano baixa", explica, acrescentando que pagou metade na entrada e financiou a outra metade. "Vou pagar em cinco anos, com um ano de carência. A primeira parcela vence em junho deste ano." O trator novo, diz Paes, faz tudo. "Uso para fazer canteiros e subsolagem, para puxar carreta e transportar as hortaliças, para fazer pulverização, tudo mesmo."

Outro horticultor de Piedade, Gilberto Júlio Batista de Camargo diz-se igualmente satisfeito com o trator comprado em julho de 2009. Com potência de 55 cavalos, a máquina foi 100% financiada. "O que compensa é o juro baixo, porque normalmente a gente paga 6% de juro ao ano", diz ele, referindo-se a um programa de governo de aquisição de máquinas cuja taxa de juro é de 2% ao ano. "O prazo de pagamento também é bom", diz ele, que possui 8 hectares. "Uso o trator para transporte e todas as operações na horta."

A decisão de pequenos produtores em investir na aquisição de máquinas - estimulada, em grande parte, por programas de governo (Mais Alimentos, federal, Pró-Trator, paulista, e Trator Solidário, do Paraná) - puxou o crescimento do setor de máquinas agrícolas em 2009. Graças às vendas de tratores de baixa potência (até 75 cavalos), o setor registrou crescimento de 1,5%, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). As vendas de tratores nesta faixa de potência cresceram 23,5%, o que fez a indústria de tratores crescer 4,7%. Em 2009, dos 45.437 tratores vendidos, 22.800 unidades, ou metade, foram na faixa de potência de 75 cavalos.

"Dos últimos 15 anos, 2009 e 2008 foram os melhores anos para a indústria", diz o diretor-comercial da Massey Ferguson, Carlito Eckert. A Massey cresceu 11% em 2009 em relação a 2008. As vendas de tratores de até 75 cavalos foram o destaque. "Em 2009 vendemos 13.970 tratores; desse total, dois terços foram máquinas de baixa potência."

EFICIÊNCIA

Dono de 20 hectares em Vista Alegre do Prata (RS), o produtor José Fabris investiu em maquinário em 2009. Segundo ele, as máquinas já tinham 18 anos e não estavam dando conta do trabalho. "Não estava mais conseguindo fazer um bom plantio e pulverização, por isso decidi comprar plantadora, pulverizadora e trator novos." Com as novas aquisições, Fabris reduziu em 50% o tempo que gastava no plantio de milho. "Agora, planto até cinco linhas em vez de duas."

Em Nova Prata (RS), a agricultora Inês Petrykovski, que possui 8 hectares de milho, também investiu em máquinas novas e comprou uma pulverizadora. "É um trabalho impossível de se fazer manualmente. Dependíamos de máquina emprestada, o que nem sempre coincidia com a época certa de pulverização. Agora podemos planejar."

Pequenos produtores como Fabris e Inês ajudaram a aquecer o mercado em 2009. Na Vence Tudo, que fabrica classificadores de grãos, plataformas de colheita e plantadoras de grãos, em Ibirubá (RS), os pequenos representaram mais de 30% do faturamento de 2009, que foi de R$ 75 milhões. "Em 2008 essa participação não chegava a 10%", diz diretor da empresa, Paulo Rodrigues.

O mesmo ocorreu em Itapira (SP), na JF Máquinas, que fabrica colhedoras e plantadoras. Cerca de 20% dos R$ 68 milhões que a empresa faturou no ano vieram dos pequenos. "Antes, as vendas para esse segmento eram irrisórias", diz o supervisor de vendas da empresa, José Macir Delalana Júnior. "No ano passado vendemos mais de 80 máquinas para pequenos produtores", diz o proprietário da revendedora da Vence Tudo em Nova Prata (RS), Nelzir Espanholo.

FORÇA-TAREFA

Para atender à demanda, a Valtra montou, em 2009, uma força-tarefa para colocar no mercado em tempo recorde uma linha de tratores de baixa potência. "A equipe reuniu-se em março e, em julho, tínhamos três modelos, de 75, 85 e 95 cavalos, prontos", conta o diretor de Marketing da Valtra, Jak Torretta. O esforço deu certo. Do total de tratores vendidos em 2009, a faixa de 75 cavalos representou 70%. De 9.600 tratores vendidos, foram 4.400 de 75 cavalos e 1.077 com potência entre 85 a 90 cavalos. A participação da empresa, na faixa de potência de 70 a 79 cavalos, passou de 14% para 26% no fim do ano.

Confirmando o bom desempenho de máquinas de pequeno porte, a New Holland fechou o ano com 11.038 tratores vendidos, 1,4% a mais que em 2008. "Vendemos 9.514 tratores até 100 cavalos, ante 6.836 unidades vendidas em 2008. Os programas de governo representaram 60% do total de vendas", diz o vice-presidente da empresa para América Latina, Francesco Pallaro.

Embora não tenha participado dos programas de governo em 2009, a Case IH, que comercializou 629 tratores - queda de 2% em relação a 2008 -, não deixou de investir em tratores de pequeno porte. "Este ano vamos entrar no programa federal com uma linha de tratores de 80 a 95 cavalos", diz o gerente de marketing, Alexandre Martins.

Estadão
Autor: Fernanda Yoneya e Leandro Costa

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