Safra argentina de trigo terá retração
26 de janeiro de 2010

 A Bolsa de Comércio de Rosário estima uma forte retração na safra de trigo argentina que será cultivada em 2010. "Será difícil colher mais de 50% da produção obtida neste ano", diz a bolsa em documento. A avaliação é de que os pequenos produtores vão optar por um produto mais seguro se o solo permitir e os produtores maiores "não vão correr o risco de semear um cultivo que só tem o mercado que o governo dita". A Argentina é o principal fornecedor de trigo para o Brasil.

O documento aponta os problemas enfrentados pelos produtores, como as fortes restrições para a comercialização do grão, cuja colheita foi concluída na última semana, por falta de mercado e pela concorrência entre os moageiros e os exportadores. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a produção de trigo da safra 2009/2010 atingiu 7,44 milhões de toneladas, enquanto o governo de Cristina Kirchner estima safra de 7,48 milhões de toneladas. De qualquer forma, qualquer um destes números está abaixo do volume verificado na colheita anterior, que chegou a 8,7 milhões de toneladas.

Os analistas explicam que a oferta, no entanto, é maior que o volume produzido, já que existem 3,6 milhões de toneladas remanescentes da colheita passada e outros 1,2 milhão de toneladas, que estariam armazenados em silos à espera de preços melhores. Sendo assim, o total disponível para 2010 chegaria a quase 12,3 milhões de toneladas, conforme fontes do Escritório Nacional de Controle Comercial Agropecuário (Oncca, pela sigla em espanhol), o organismo que regula o comércio do setor. Os números são polêmicos porque nenhum produtor confirma a existência de estoques não declarados ao governo. As entidades rurais reclamam que os agricultores vivem uma crise provocada, em parte, pela forte estiagem, e outro tanto pela política oficial que desestimula a produção.

As entidades não se conformaram com as medidas que o governo anunciou para o setor: liberação de 1 milhão de toneladas de trigo para exportação; acordo para que os moageiros comprem 1,5 milhão de toneladas pelo preço de mercado e a devolução dos impostos de exportações (retenções) de trigo para os produtores pequenos e médios. O governo considera que tais medidas são suficientes para ajudar a maioria dos agricultores. De acordo com o ministro de Agricultura, Julian Domínguez, 93% dos produtores de trigo, cerca de 27 mil, são pequenos e médios. Estes agricultores são responsáveis, conforme o governo, por 50% da produção total do cereal.

A área implantada com trigo caiu de 5,6 milhões de hectares, na safra 2007/2008, para 3,08 milhões, em 2009/2010. No mesmo período de comparação, as exportações também retrocederam de aproximadamente 10 milhões de toneladas para cerca de 4 milhões de toneladas. Em apenas duas safras as menores vendas para o Brasil, principal importador do cereal vizinho, fizeram a Argentina cair do quinto para o oitavo lugar no ranking de exportadores mundiais de trigo. O abastecimento interno, estimado em 6,5 milhões de toneladas, também é motivo de preocupação, segundo a bolsa de Rosário. A próxima safra de trigo na Argentina começa a ser plantada em meados de maio. 

Folha de Londrina
Autor: Marina Guimarães

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