Moagem de cana supera 527 milhões de toneladas na primeira quinzena de janeiro
26 de janeiro de 2010

A moagem total de cana na região Centro-Sul do País desde o início da safra 2009/10 superou 527 milhões de toneladas até o final da primeira quinzena de janeiro. A produção total atingiu 28,37 milhões de toneladas de açúcar e 22,90 bilhões de litros de etanol. Mesmo em condições climáticas desfavoráveis, a moagem prossegue na segunda quinzena de janeiro em mais de 70 unidades produtoras.

As cifras apuradas até o momento são muito inferiores ao planejado por todas as unidades produtoras no início da safra. Em condições normais, a moagem de cana poderia ter alcançado 580 milhões de toneladas. Com isso, a produção de açúcar ultrapassaria 33 milhões de toneladas e a de etanol seria superior a 27 bilhões de litros.

Os números iniciais projetados pela UNICA para a atual safra traduzem a seriedade e responsabilidade dos produtores em ofertar açúcar e etanol tanto para o mercado interno como o externo. O início da safra era, de certa forma, o período mais preocupante devido a um excesso de produto mesmo com uma demanda interna crescente, reflexo do crescimento da frota de veículos flex e das incertezas do mercado externo.

Se por um aspecto tudo apontava para recordes tanto na moagem de cana quanto na produção de açúcar e etanol, há de se notar que muitas empresas tiveram dificuldades na obtenção de crédito junto ao sistema financeiro. Isto fez com que estas mesmas empresas não conseguissem obter linhas de financiamento (warratagem) disponibilizadas pelo Governo Federal pelos mesmos motivos – o não atendimento de uma série de exigências para liberação dos recursos. Este cenário proporcionou uma oferta nos primeiros meses de safra (abril a setembro) muito superior aos volumes demandados, em níveis de preços baixíssimos, provocando um crescimento nas vendas de etanol hidratado no período superior a 25% comparado com o mesmo período do ano anterior.

A partir de julho, o andamento da safra passou a ser fortemente prejudicado pela incidência de chuvas, resultando na redução da oferta em mais de 4,0 bilhões de litros de etanol e 5,0 milhões de toneladas de açúcar. Desde o mês de setembro a UNICA vem indicando que esse desequilíbrio entre a oferta e demanda provocaria um ajuste no mercado, o que resultaria em um novo patamar de preços compatível com a oferta mais baixa do que o esperado.

Conforme essas previsões, a partir de janeiro o mercado vem se ajustando e os níveis de preços praticados pelos produtores já refletem certa estabilidade. Isto indica, já na primeira quinzena de janeiro, uma queda nas vendas de etanol hidratado de 10% quando comparado com a segunda quinzena de dezembro, e um crescimento de apenas 2,4% quando comparado com a primeira quinzena de janeiro de 2009. Este crescimento, se acompanhasse a expansão da frota flex, seria naturalmente muito maior.

De janeiro a março de 2009, 18 estados brasileiros tinham o preço do etanol inferior a 70% do preço da gasolina, o teto para que o uso do etanol seja economicamente competitivo comparado com a gasolina. Já na primeira quinzena de janeiro, apenas dois estados continuam com os preços do etanol competitivo, ou seja, abaixo dos 70% do preço da gasolina. Mesmo assim, pode-se afirmar que os níveis de preços praticados nesta safra estão entre os quatro menores preços praticados nos últimos 10 anos, considerando-se a média de preço ao longo de toda a safra. As informações são da assessoria de imprensa da Unica.


Agrolink

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