Mais espaço para o milho transgênico
18 de janeiro de 2010

Animados com a produtividade registrada na safra de milho transgênico, os produtores do Meio-Oeste catarinense devem continuar investindo na novidade. A área plantada de sementes geneticamente modificadas aumentará na próxima safra. Na região, conhecida como o celeiro do Estado, a área de milho BT deve dar um salto dos atuais 13 mil para 18 mil hectares, o que representará quase 90% do cultivo.

De acordo com coordenador técnico da Cooperativa Regional de Campos Novos (Copercampos), Marcos Schlegel, a produtividade do milho BT registrou um aumento de 10% em relação ao convencional na colheita deste ano.

Na safra passada, os grãos apresentaram melhor qualidade (não ficaram “ardidos”) e os produtores comemoraram a resistência a três tipos de lagartas, a melhor aparência da planta e a redução de aplicação de inseticidas. Diante destes fatores que contribuem para uma maior produtividade do grão, ele projeta o aumento da área plantada de milho transgênico na região.

– Dos 20 mil hectares de milho na região de Campos, hoje cerca de 65% são BT. A tendência é que os produtores, motivados pelo aumento da produtividade, aumentem a área plantada para 90% na próxima safra – destaca Schlegel.

Na propriedade do agricultor Claudio Hartmann, o pioneiro a plantar milho transgênico em Santa Catarina, a produtividade apresentou um acréscimo de 20% em relação às outras áreas onde ainda é cultivado o milho convencional.

Preço baixo ainda gera preocupação

Mas diante do preço em baixa, o clima entre os produtores não é de otimismo completo. Mesmo com o ganho na produtividade, o produtor Hartmann decidiu não aumentar os hectares destinados ao cultivo transgênico.

A área de 160 hectares de milho BT terá 25 hectares destinados ao plantio de milho convencional, para preservação de áreas de refúgio e coexistência, como na safra passada.

– O preço está péssimo e o custo de produção é muito alto. A saca de 60 quilos é vendida por R$ 17,50 e nos custa cerca de R$ 20 – reclama o produtor catarinense.

Na colheita de março do ano passado, Hartmann registrou 115 sacas por hectare. Se no ano passado, a estiagem de quase três meses foi a vilã, desta vez, o El Niño deve ser um aliado. Por conta das chuvas causadas pelo fenômeno climático, a expectativa do produtor é de colher entre 140 e 150 sacas por hectare. Schlegel, da Copercampos, também reconhece os efeitos do El Niño como importante fator que impulsionou a produtividade. O cenário só seria mais positivo se não fosse o preço em baixa.

Diário Catarinense

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