Produtores de soja têm bom ano mesmo com dólar em baixa
10 de dezembro de 2009

Se não fosse a valorização do real, os produtores brasileiros de soja estariam comemorando 2009 como um dos melhores anos para a cultura no Brasil. “Foi um bom ano para o mercado internacional, mas o que nos pregou uma peça foi o dólar, afinal, todas as commodities são cotadas pela moeda americana”, comenta João Augusto Birkhan, diretor do CentroGrãos, vinculado à Famato (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Mato Grosso).

O otimismo da sojicultura brasileira também é endossado pelo engenheiro agrônomo Ricardo Elias Lorenzet, consultor da XP Investimentos. “O produtor brasileiro conseguiu ter uma rentabilidade positiva, principalmente em razão dos preços internacionais estarem acima dos patamares históricos. Quando o dólar começou a desvalorizar, foi no período que o sojicultor começou a comercializar sua safra, mesmo assim, as transações acabaram sustentando os preços no mercado”.

O terceiro levantamento da safra de grãos, apresentado nesta semana pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), apresenta um crescimento de 6%, ou seja, serão cultivados 23,05 milhões de hectares, confirmando a expectativa de que esta será a maior safra da oleaginosa no País.

O estudo da Conab também revela um crescimento de 12,9% (7,40 milhões de toneladas) sobre o volume de 57,16 milhões de toneladas da safra 2008/2009. Para o cálculo da produtividade (quilos por hectare), os técnicos consideraram a média dos últimos cinco anos, descartando as safras atípicas e adicionando o avanço tecnológico, por exemplo.

Para os consultores, os principais fatores que induziram o produtor a ampliar a área de cultivo da soja são: menor custo por hectare, comparativamente ao do milho, principal concorrente; baixos preços do milho; a maior liquidez; cultura mais resistente à estiagem; e o cultivo menos oneroso do que o do milho.

2010

Os bons resultados neste ano deixaram os produtores matogrossenses otimistas, que ampliaram em 3% a área de plantio para a próxima safra. “O mercado futuro é uma coisa difícil de prever, mas em 2009 tivemos um dólar fraco, que desvalorizou 30%. Nossa torcida é para que o próximo ano seja melhor ao produtor, mesmo o dólar sinalizando uma queda maior”, diz Birkhan, da Famato.

“Observamos que os custos de produção caíram bastante, principalmente os fertilizantes. Além disso, o mercado segue firme na Bolsa de Chicago, pois a China tem comprado um volume expressivo de soja no mercado norte-americano, garantindo seus estoques reguladores, já que muitas regiões produtoras não confirmaram os números finais das safras e suas lavouras estão suscetíveis a problemas climáticos, como ocorre na América do Sul”, observa o consultor da XP Investimentos.

Lorenzet alerta o produtor para que fique atento ao mercado a médio prazo, pois mesmo com a demanda chinesa, caso a estimativa de safra norte-americana se confirme, a tendência é que ocorra uma queda nos preços na Bolsa de Chicago. “Existe uma expectativa que a safra sul-americana seja superior à registrada em anos anteriores e isto tem reflexos em Chicago”, avalia.

Campo News
Autor: Bruno Sales

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