Só uso correto retém carbono
2 de dezembro de 2009

Embora a técnica ocupe 26 milhões de hectares, não se sabe a área na qual o plantio direto é feito com qualidade. "Obedecer aos seus três princípios básicos é fundamental para que de fato ocorra o sequestro de carbono", diz o professor Carlos Eduardo Cerri. Não adianta não revolver o solo, mas não fazer a rotação de culturas ou não deixar a palhada no solo. "Quando o solo não é revolvido há uma tendência natural de compactação. Isso pode ser resolvido com a rotação de culturas, com o plantio de espécies de sistema radicular agressivo, que "quebram" as camadas mais endurecidas de terra."

O importante, diz, é deixar de fazer monocultura ou sucessão de culturas e introduzir um terceiro cultivo. "Este cultivo - girassol, nabo forrageiro, algodão, canola, trigo, aveia, etc. - tem o papel de fornecer palhada e equilibrar o solo, estimulando a diversidade microbiana na área."

Seguido à risca, o plantio direto pode sequestrar até 0,8 tonelada de carbono/hectare/ano no solo. Quem garante é o produtor Herbert Arnold Bartz, diretor da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha. A primeira experiência comercial com plantio direto foi realizada na propriedade de Bartz, em Rolândia (PR), em 1972. "Manter o solo constantemente coberto garante a diversidade biológica do solo. Agora, sabe-se que o plantio direto assimila carbono."

Em sua propriedade de 160 hectares, em Grandes Rios (PR), Bartz planta arroz, soja e milho e faz a integração lavoura-pecuária. Na rotação, cultiva aveia preta, aveia branca, triticale e nabo forrageiro. "Hoje, talvez a integração lavoura-pecuária seja a prática conservacionista mais moderna, pois mantém os ganhos econômicos", diz. "A agricultura brasileira tem várias maneiras de neutralizar a emissão de gases-estufa." No campo, o produtor pode até desconhecer o conceito de sequestro de carbono via plantio direto, mas sabe dos benefícios da presença de matéria orgânica no solo. "Carbono é a forma pela qual se expressa a quantidade de matéria orgânica no solo", explica Cerri. "E todo produtor sabe que a matéria orgânica melhora as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo." F.Y.

Estadão
Autor: Fernanda Yoneya

Outras Notícias
16/10/2015 Mudança no PIS/Cofins vai aumentar custos para produtores ru...
16/10/2015 ANTT define medidas para isenção de pedágio para eixos suspe...
16/10/2015 Dólar dita ritmo da venda do milho em Mato Grosso
16/10/2015 Monitoramento da Adapec mostra baixa incidência da ferrugem ...
16/10/2015 Cananéia, uma das referências do sistema brasileiro de defes...
HISTÓRIA | SERVIÇOS | LOCALIZAÇÃO | FALE CONOSCO | WEBMAIL
Todos os Direitos Reservados © 2026