Preço do etanol faz consumo desacelerar
25 de novembro de 2009

O consumo de etanol voltou a registrar desaceleração na primeira quinzena de novembro na região Centro-Sul em relação a igual período da safra anterior, de acordo com dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). Depois de registrar um crescimento no consumo de cerca de 23,5% mensais no período de abril a setembro, a expansão na primeira semana de novembro foi de apenas 7,7%. Já em relação ao mesmo período do mês anterior, o consumo de etanol já registra queda. Segundo a Unica, na primeira quinzena de novembro, o consumo de hidratado no mercado interno foi de 652 milhões de litros, queda de 17,4% em relação aos 757 milhões registrados na primeira quinzena de outubro de 2009. Já as saídas de anidro ficaram em 232 milhões de litros, retração de 5,3% no período analisado.

O diretor técnico da Unica, Antonio Pádua Rodrigues, disse que esta desaceleração já é uma resposta do mercado aos preços mais altos do hidratado que estão sendo registrados desde outubro. "O etanol está menos competitivo em relação a gasolina. E o consumo do hidratado tende a seguir em queda enquanto o do anidro vai subir". O anidro é adicionado à gasolina na proporção de 25%. Segundo ele, diante deste cenário, os produtores também estão migrando sua produção para o anidro. Do total de etanol produzido no Centro-Sul, a participação do anidro era de 25% em meados de setembro.

Na primeira quinzena de novembro, a fatia do anidro cresceu para 36%, de acordo com a Unica. Além disso, Pádua também ponderou que, tradicionalmente, o final da safra é mais alcooleiro, o que está fazendo com que o mix de produção volte a se inclinar para o etanol. Entre as usinas que produzem tanto açúcar e álcool, o mix de produção está atualmente em 51% para açúcar e 49% para etanol depois de atingir 55% para açúcar em outubro. Já considerando também as usinas que apenas produzem etanol, apenas 43% do total está produzindo açúcar, depois de chegar até 48%.

Os números foram apresentados esta semana em reunião da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Para Pádua, os números revelam que o mercado está se ajustando para fornecer o anidro que o mercado precisa sem necessidade de se reduzir à mistura de 25%. Ele afirma que o setor trabalha hoje com estoques de quatro vezes o consumo mensal de anidro e duas vezes o de hidratado. "Não existe necessidade de redução de mistura porque o produto está disponível".


Gazeta Digital
Autor: Eduardo Magossi - São Paulo

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