Petrobras testa com bancos capacidade para financiar indústria
23 de novembro de 2009

O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, informou nesta segunda-feira que a companhia vai iniciar testes com bancos brasileiros visando futuros financiamentos para fornecedores da indústria do petróleo, com objetivo de atender à imensa demanda dos projetos do pré-sal.

"Hoje faremos um teste ácido com os bancos para eles avaliarem", afirmou Barbassa, referindo-se a termo do mercado financeiro sobre medição da capacidade de pagamento de possíveis tomadores de créditos.


"Vamos ver as condições contratuais e as garantias que terão, se o modelo é executável", acrescentou.


A Petrobras foi orientada pelo governo a buscar o aumento do conteúdo nacional em seus equipamentos desde 2003. Com a descoberta do pré-sal, em 2007, as encomendas da empresa irão aumentar gradativamente e o ritmo da exploração da nova fronteira será ditado pela capacidade de atendimento da demanda por empresas locais.


Para viabilizar esse crescimento, a Petrobras quer estender aos pequenos fornecedores o crédito que normalmente disponibiliza aos seus fornecedores diretos, de maior porte.


"O desafio aqui é a indústria brasileira, nós estamos trabalhando para facilitar um pouco a condição da empresa brasileira de obter recursos", disse Barbassa.


"O fornecedor do fornecedor tem que ser financiado, mas quem vai operar isso é o sistema bancário", afirmou, descartando a hipótese de a Petrobras se tornar uma espécie de "banco" do setor, como ocorreu em alguma medida com a Eletrobrás, responsável pelo financiamento da expansão da geração elétrica no país.


Para conseguir recursos suficientes e fomentar a indústria nacional, a Petrobras será capitalizada até o final do primeiro semestre do ano que vem, prevê Barbassa, processo que ainda está tramitando na Câmara dos Deputados.


"Até o primeiro semestre de 2010 isso (a capitalização) terá sido concluído e vai estender a capacidade financeira para indústria", explicou.


Ao mesmo tempo, a companhia continua o trabalho de atrair fabricantes de equipamentos para o país.


No primeiro trimestre do ano que vem, a empresa volta à China para conversar com algumas empresas do setor.


"Já estivemos no Japão, na Coreia e Cingapura, queremos atrair para o Brasil não apenas as empresas grandes, que já conhecem o Brasil, mas motivar os fornecedores dos estaleiros de lá", explicou o executivo em seminário sobre o pré-sal no Rio de Janeiro.


"Os estaleiros nem são a nossa prioridade, queremos trazer os fornecedores desses estaleiros", disse Barbassa, fazendo coro com Guilherme Estrella, diretor de Exploração e Produção da companhia, que na semana passada reclamou da falta de fabricação de turbinas para navios no país.


(Por Denise Luna)

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