Impacto no frete e sobre preços
10 de novembro de 2009

O movimento de alta ou baixa na cotação do dólar – como o que está ocorrendo nas últimas semanas - tem impacto direto nos custos do frete e na formação dos preços da soja. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), o produtor é o que mais tem sofrido nas últimas safras com a volatilidade do dólar, porque tem dificuldade de repassar o aumento dos custos para o preço do produto. O resultado deste descompasso é a queda, ano a ano, da renda agrícola.

A soja é a commodity mais prejudicada com estas variações. Como aponta o segmento produtor, apesar de todas as altas contabilizadas ao custo de produção, o produtor não faz o preço da saca, a formação do preço é ditada pelo mercado

De acordo com o diretor administrativo da Aprosoja, Carlos Fávaro, o dólar baixo afeta, principalmente, aqueles que estão localizados em regiões mais distantes dos portos de escoamento, como os do Centro-Oeste do país. "O real é a moeda que forma o valor do transporte no Brasil. Quando este custo é convertido para dólar nas baixas cotações, o valor fica mais alto".

Estudos realizados por institutos de pesquisa agropecuário apontam que o produtor gasta hoje 38% da sua renda bruta com frete. Isso significa que para cada 100 sacas de soja que ele transporta, 38 são apenas para pagar frete. “Ainda está caro produzir frente ao alto custo de produção e as incertezas do câmbio”, alerta Fávaro.

Carlos Fávaro diz que o frete fica “mais caro ou mais barato” dependendo da cotação do dólar. Ele faz duas simulações para exemplificar a perda do produtor toda vez que o câmbio sofre redução. “Com o dólar a R$ 2, o produtor vai pagar R$ 7 por saca até ao porto. Com o dólar a R$ 1,70, ele paga R$ 10. O momento exige muita cautela, pois ninguém sabe ao certo o que ainda irá acontecer daqui para frente”.

ESPECULAÇÃO - O diretor executivo da Aprosoja, Marcelo Duarte Monteiro, diz que os últimos anos em que o produtor plantou com dólar baixo foram desastrosos. “Todos se recordam que entre as safras de 2004 a 2008, os agricultores plantaram com dólar mais alto e colheram com dólar mais baixo. O resultado foi a crise no setor”, disse.

Fávaro lembra que todas as despesas em reais, como frete, folha de pagamento, reposição de peças, manutenção da frota, impostos e outras, sofrem variações quando há movimento no câmbio.

“Se considerarmos a taxa de R$ 2 no começo do ano e a de R$ 1,70 agora, vamos constatar que a receita do produtor sofreu uma depreciação”. O pior, acrescenta, é que esta volatilidade “segue dentro de um movimento especulativo, em que o governo federal já deveria ter tomado as providências para evitar a entrada de capital externo no Brasil, o que tem ocasionado danos às exportações brasileiras não só as do agronegócio, como todos os setores exportadores”.

MELHORA - De acordo com as estatísticas, a safra 08/09 foi a primeira em cinco anos em que o dólar foi maior do que na época do plantio. “A trajetória declinante do dólar preocupa. Acredito que neste momento o produtor tem de estar muito atento e travar contratos que venham a cobrir os custos e gerar uma margem de rentabilidade”, orientam os analistas.
Autor: Marcondes Maciel
Fonte: Diário de Cuiabá - MT

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