Petróleo: cotação menor virá com dólar forte, dizem analistas.
22 de junho de 2008

Neste domingo, representantes de 33 países, entre eles membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e do G8, se repunem na Arábia Saudita para discutir soluções para a disparada na cotação do petróleo. Para especialistas brasileiros, os constantes aumentos na cotação da commodity, que esbarrou em US$ 140 nos Estados Unidos nesta semana, só deverão arrefecer caso a demanda diminua e o dólar se fortaleça.

Os analistas concordam que um pouco provável aperto monetário nos EUA poderia atacar, mesmo que levemente, os dois fatores. Segundo o economista-chefe da corretora Liquidez, Marcelo Voss, um reajuste nos juros americanos pode ajudar a controlar a disparada nos preços do petróleo.

"Vai ficando cada vez mais claro que os EUA vão ter que sair desse juro baixo. Com o juro aumentando e dólar se recuperando, a bolha do petróleo vai ter que desacelerar. Fundamento não tem para esse preço (do barril de petróleo)", afirmou.

"O petróleo vai ter que ajustar, por bem ou por mal. Antes que seja pelo Fed (Federal Reserve, o banco central americano)", completou.

Segundo Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros, o reajuste dos juros aumentaria a atratividade dos títulos públicos daquele país. Com isso, a procura de investidores pelo petróleo, que pressiona a cotação da commodity, diminuiria.

"O aumento do juro americano diminuiria a volatilidade nesse mercado (de petróleo), porque alguns investidores optariam pelos títulos do governo", afirmou. No entanto, ele ressaltou que a maior preocupação ainda é com oferta de demanda. "Até as empresas aéreas estão comprando no mercado de futuros porque estão preocupadas com uma possível falta do produto no longo prazo. E elas não são especuladores", afirmou.

Apesar de duvidar de um aumento em curto prazo nos juros americanos, o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, afirmou que a alta significaria um alívio na cotação da commodity.

"Se aumentar (a taxa de juros dos EUA), a tendência é o petróleo perder um pouco de preço. Porque um aumento do juro americano tende a fortalecer o dólar em relação a outras moedas. Como o petróleo é cotado em dólar, boa parte da alta (dos últimos meses) se deve a isso. Então, se o dólar ganha força em relação a outras moedas, isso ajuda a controlar a cotação", afirmou.

A alta nos juros também poderia atuar no quesito demanda, explicou Gonçalves. "Uma alta de juros tende a contrair a demanda nos EUA, que já está baixa. Mas, se houver um aumento, você contrai mais ainda", disse.

A tese da contração do consumo é compartilhada por Fausto Gouveia, analista da Alpes Corretora. Para exemplificar a situação, ele explicou como funciona a economia quando há uma redução na taxa de juros.

"Quando você tem uma redução de juros, você estimula a economia. Então, o petróleo caro, aumenta os custos em toda a cadeia de produção e gera inflação. Eventualmente, caso haja um aperto monetário lá fora, pode haver redução na demanda por petróleo", afirmou.

Contudo, a questão da demanda interna dos EUA não parece ter uma perspectiva favorável. Em estudo, divulgado na última sexta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou, para cima, o crescimento da maior economia do planeta. Segundo a entidade, o Produto Interno Bruto (PIB) americano deve crescer 1% este ano, ao invés dos 0,5% estimados anteriormente.

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