Projeto visa Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade
1 de setembro de 2008



     Técnicos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, PNUD Brasil, representantes indígenas, assentados e de órgãos federais e municipais estarão reunidos a partir desta segunda-feira (01.09) até o próximo sábado (06), nos municípios de Juína e Juruena, na Oficina de Avaliação e Planejamento Participativos sobre Manejo e Comercialização de Produtos da Floresta.
     
     A oficina tem por objetivo avaliar os resultados obtidos pelo Projeto de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade das Florestas do Noroeste de Mato Grosso. Esse projeto vem sendo desenvolvido na região desde 2001, através de uma parceria entre o Governo do Estado/Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Ministério do Meio Ambiente (MMA), PNUD – Brasil, prefeituras municipais, associações de agricultores familiares, populações indígenas e empresários do setor madeireiro.
     
     O Projeto de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade das Florestas do Noroeste tem como foco a compatibilização do desenvolvimento sócio-econômico com a conservação da biodiversidade e foi implantado nos municípios de Juína, Castanheira, Juruena, Cotriguaçu, Aripuanã, Colniza e Rondolândia, localizados na margem esquerda do rio Juruena. Inicialmente, através do projeto, Programa Integrado da Castanha (PIC), visava o incentivo aos processos de gestão ambiental em terras indígenas com ênfase na conservação e manejo da Castanha-do-Brasil nas terras indígenas Rikbaktsa, Japuíra e Escondido.
     
     No ano seguinte o projeto foi levado para os Zoró e logo após a Reserva Guariba Roosevelt e o Assentamento Vale do Amanhecer.“A partir do ingresso de novos grupos sociais o Programa adquire um caráter transversal que inclui além do componente indígena, a valoração econômica das áreas de reserva legal dos assentamentos e das áreas florestais da RESEX Guariba Roosevelt”, explicou a superintendente de Biodiversidade da Sema, Eliani Fachin.
     
     Hoje, além do trabalho com a Castanha-do-Brasil, o Programa vem realizando ações voltadas a ampliação do manejo e comercialização de outros produtos como o látex e as Jóias da Floresta, além do manejo de produtos madeireiros, através do aproveitamento de madeiras desvitalizadas em assentamentos, com a participação de vários parceiros nas ações que vem sendo realizadas e em outras prevista para terem início ainda neste mês.
     
     Entre as ações já realizadas está a capacitação e intercâmbio de experiências para 60 coordenadores da castanha, das terras indígenas Rikbaktsa, Zoró e Arara, por meio do Programa de Promoção de Igualdade de Gênero, Raça e Etnia (PPIGRE), do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
     
     Em andamento estão ações voltadas para a estruturação do sistema de transporte fluvial e armazenamento de castanha do povo Rikbaktsa e, para o fortalecimento da organização social dos seringueiros dos Rios Guariba e Roosevelt, através do SDS/Coordenadoria de Agroextrativismo do Ministério do Meio Ambiente. Também já se encontra em execução uma parceria com a Conab possibilitando a compra antecipada, para formação de estoque e compra com doação simultânea da castanha. Outra ação em desenvolvimento é o Programa Petrobras Ambiental, através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Aripuanã, para o apoio às ações de manejo e comercialização de produtos florestais não-madeireiros e a implementação de viveiros comunitários e sistemas agroflorestais junto aos povos Rikbaktsa, seringueiros da RESEX Guariba Roosevelt e agricultores do Assentamento Vale do Amanhecer.
     
     Com o Incra são desenvolvidas ações de licenciamento ambiental e implementação de uma unidade de beneficiamento de Castanha-do-Brasil em amêndoa no Assentamento Vale do Amanhecer e com a Michelin do Brasil foi assinado um termo de cooperação para a execução de um programa de apoio a revitalização do manejo e comercialização do látex da seringa, com garantia de compra por parte da empresa de todo o estoque produzido pelos grupos integrantes do PIC. Para isso, há aproximadamente 20 mil pés de seringa reativados nas terras Rikbaktsa e a meta é a reativação de mais 25 mil pés.
     
     OFICINA – Cerca de 55 pessoas estarão participando da Oficina de Avaliação e Planejamento Participativo representando o Projeto de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade-Sema PNUD Brasil, Associação dos Povos Indígenas Rikbaktsa (Asirik), Zoró-Pangyjej (Apiz), Arara-Yukapkatan, Associação dos Seringueiros dos Rios Guariba e Roosevelt, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Aripuanã, Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena (Adejur), Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Vale do Amanhecer, Fundação Nacional do Índio (FUNAI)/Coordenação Geral de Patrimônio Indígena e Meio Ambiente (CGPIMA), Funai/Núcleo de Apoio de Juína, Funai-Jí-Paraná (RO), Conab/Sureg Cuiabá, Instituto Chico Mendes e UFMT-Faculdade de Engenharia Florestal.
     
     Confira a programação da Oficina de Avaliação e Planejamento Participativos sobre Manejo e Comercialização de Produtos da Floresta:
     
     Oficina de Avaliação e Planejamento Participativos sobre Manejo e Comercialização de Produtos da Floresta
     De 01 a 06 de setembro
     Local: Juína e Juruena
     
     Dia 01/09
     8h - 10h
     
     Apresentação dos objetivos, metodologia e resultados da oficina
     Apresentações dos participantes e suas expectativas
     
     Núcleo temático:
     O estado atual sobre o desenvolvimento dos trabalhos do Projeto de Conservação da Biodiversidade e Uso Sustentável das Florestas.
     Plácido Costa - PNUD
     
     10h – 12h
     
     Grupos de trabalho: Rikbaktsa, Zoró, Arara, seringueiros da RESEX Guariba Roosevelt e agricultores do Vale do Amanhecer para discussão dos núcleos temáticos.
     Meta: Uma avaliação de caráter mais geral sobre os avanços e pontos a serem melhorados nas áreas de organização social, formação, relação com as instituições, manejo, fomento e comercialização de produtos da floresta.
     O papel das instituições de apoio, comunidades e associações.
     
     14h – 16h
     
     Apresentação dos grupos de trabalho:
     Exposição dos parceiros locais: Rikbaktsa, Zoró, Arara, seringueiros e agricultores do assentamento Vale do Amanhecer:
     
     Rikbaktsa: O trabalho dos “coordenadores da castanha” e as perspectivas do trabalho com a Michelin
     
     Zoró: as dificuldades da atividade madeireira e a gestão dos recursos da CONAB
     
     Arara: as dificuldades internas de gestão do programa e a operação de venda de castanha para a rede Comper;
     
     Seringueiros: a luta pelo reconhecimento da RESEX e o processo de organização para o manejo da castanha;
     
     Agricultores do Vale do Amanhecer: O inicio do processo de gestão para o manejo e beneficiamento da castanha-do-Brasil
     
     Avaliação geral sobre a exposição dos trabalhos de grupo.
     
     
     Dia 02/09
     8h- 10h
     
     Núcleo temático:
     Exposição sobre as experiências de gestão de negócios da floresta na Amazônia: dificuldades encontradas e formas de superação
     
     Erinaldo Silva - Consultor PNUD BRA
     Robson Amaro - Consultor PNUD BRA
     
     
     10h – 12h
     
     Grupos de trabalho Rikbaktsa, Zoró, Arara, seringueiros da RESEX Guariba Roosevelt e agricultores do Vale do Amanhecer
     Quais os avanços, dificuldades encontradas e perspectivas dos trabalhos em relação à comercialização de produtos da floresta?
     
     
     14h – 16h
     
     Apresentação dos trabalhos de grupo para a identificação dos pontos positivos e principais gargalos para a comercialização dos produtos da floresta.
     Meta: construir um painel com o status das potencialidades, gargalos, desafios, resultados e perspectivas para o negócio da castanha.
     
     
     16h – 18h
     
     Palestra:
     A experiência com a Fruta Sã (Indústria, Comércio e Exportação Ltda.)
     A e parceria entre índios e agricultores para o manejo, beneficiamento e comercialização de frutos do cerrado.
     Identificação de pontos positivos e desafios a serem superados.
     
     Andréia Bavaresco - Consultora PNUD
     
     Trabalho de grupo: A identificação de potencialidades com manejo e comercialização de produtos da floresta: óleo de copaíba, breu branco, sementes florestais, etc.
     
     Dia 03/09
     08h - 10h
     
     Núcleo temático: organização social para a gestão de mercados.
     Palestras
     Robson Amaro - Consultor PNUD BRA
     Cooperativismo ou associativismo: Pontos fortes e desafios de cada forma de representação para as comunidades amazônicas.
     
     Erinaldo Silva - Consultor PNUD BRA
     Experiências de formas de organização social, institucional e parcerias para a gestão de negócios da floresta.
     
     10h – 12h
     
     Grupos de trabalho:
     Perguntas norteadoras:
     - Como estão sendo feitos os canais de diálogo entre a minha associação, a comunidade e as instituições de apoio?
     - Qual a capacidade de minha associação para elaboração e gestão de projetos?
     - De que forma a minha associação tem conseguido comercializar os produtos?
     - Quais as dificuldades encontradas?
     Avaliação do estado legal e estagio de organização para a gestão de mercados – gargalos e formas de superação identificação de potencialidades de mercados para produtos da floresta
     
     14h – 16h
     
     Palestra:
     João Manoel de Souza.
     Os resultados e perceptivas do projeto: União dos povos da floresta para a proteção dos Rios Juruena e Aripuanã.
     Execução: STR de Aripuanã
     Patrocínio:
     Programa Petrobras Ambiental
     Trabalho de grupo dos parceiros e conselho gestor do projeto.
     Avaliação dos resultados, definição d e prioridades e discussão de agenda.
     
     16h – 18h
     
     16:00 – 19:30 - Deslocamento Juina – Juruena.
     
     
     Dia 04/09
     08h - 10h
     
     Núcleo temático: Plano de negócios para a castanha do Brasil.
     Palestras:
     Erinaldo Silva - Consultor PNUD BRA
     Robson Amaro - Consultor PNUD BRA
     Um painel sobre as experiências de gestão de mercados para a castanha do Brasil.
     Quais as lições a serem apreendidas sobre o beneficiamento e gestão de negócios da castanha?
     
     10h – 12h
     
     Grupos de trabalho Rikbaktsa, Zoró, Arara, seringueiros da RESEX Guariba Roosevelt e agricultores do Vale do Amanhecer.
     Perguntas norteadoras:
     - Onde estamos com o negócio da castanha?
     - Como foi a utilização e gestão dos recursos obtidos através da CONAB? Quais os resultados obtidos?
     - Quais as dificuldades encontradas para a comercialização da castanha-do-Brasil?
     - Aonde queremos chegar? Quais dificuldades identificadas e formas de superação.
     
     
     14h – 16h
     
     Intercambio de experiências:
     Visita à fábrica de castanha do assentamento Vale do Amanhecer
     
     16h – 18h
     
     Plenária:
     Definição de prioridades e estratégias para a safra da castanha 2008 / 2009.
     Reunião de avaliação e planejamento: Discussão sobre uma estratégia de mercado para a castanha do Brasil que envolva: mercados atuais e potenciais; parcerias entre grupos e instituições; avaliação e estratégias junto às agências de fomento (CONAB); status da conservação e beneficiamento dos produtos; certificação etc.
     
     Dia 05/09
     08h - 10h
     
     Núcleo temático:
     Gestão e monitoramento local do processo de coleta, seleção e armazenamento de PFNM.
     
     Palestras:
     Andréia Bavaresco - Consultora PNUD
     Fruta Sã: A experiência do monitoramento e controle no processo de coleta, seleção, armazenamento e comercialização de PFNM
     João Manoel – STR de Aripuanã
     O papel dos coordenadores locais no Programa Integrado da Castanha – PIC e o estado atual do sistema de monitoramento
     
     10h – 12h
     
     Grupos de trabalho:
     O programa de boas práticas com PFNM e Gestão Ambiental em Terras Indígenas, RESEX e Vale do Amanhecer
     - Pontos a serem discutidos: O papel dos agentes multiplicadores enquanto difusores de boas práticas e integrantes de um sistema de monitoramento e controle da produção de PFNM;
     - O Status do sistema de monitoramento da produção, armazenamento e comercialização de PFNM;
     - O papel das associações e instituições de apoio;
     - uma avaliação dos pontos frágeis e propostas de superação;
     - quais informações devem ser consideradas num sistema de controle, para que elas servem?
     
     14h – 16h
     
     Trabalho de grupo: A construção de uma pré-proposta de sistema de monitoramento da produção de PFNM pelos grupos locais
     
     
     16h – 18h
     
     Viagem para a fazenda São Nicolau.
     
     Dia 06/09
     08h - 10h
     
     Intercâmbio de experiências:
     Visita à Fazenda São Nicolau – experiência de recuperação de áreas degradadas e de boas práticas com castanha-do-Brasil
     
     
     10h – 12h
     
     Saída para o Assentamento Nova Esperança: visita à unidade demonstrativa de sistemas agroflorestais
     
     14h – 16h
     
     Intercâmbio de experiências:
     Visita à unidade demonstrativa
     
     16h – 18h
     
     Retorno para a cidade de Juruena ou Juina
     
     Dia 07 a 12/09
     Início dos trabalhos com os parceiros locais e consultores: visita a todas as experiências em andamento.

 

Redação 24HorasNews


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