Governo deixa retaliação a algodão dos EUA para 2010
14 de outubro de 2009

A decisão do governo brasileiro sobre as ações a adotar na retaliação aos Estados Unidos no caso do algodão não será tomada neste ano, afirmou ontem Benedito Rosa do Espírito Santo, diretor do departamento de assuntos comerciais da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura.

"O governo está estudando, trabalhando com cautela sobre as listas, e apenas no próximo ano sairá uma decisão sobre o assunto", disse Benedito Rosa, após participar de reunião do Coscex (Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp).

No mês passado, o secretário de Relações Internacionais do ministério, Célio Porto, depois de um encontro na mesma Fiesp, havia previsto que as sanções do Brasil poderiam ser definidas até novembro.

A estratégia, afirmou, passava por identificar tarifas que os Estados Unidos usam contra produtos brasileiros (como açúcar, álcool e suco de laranja) e aplicá-las contra itens americanos, como o trigo e o próprio algodão.

A OMC (Organização Mundial do Comércio) permitiu, no final de agosto, que o Brasil aplicasse retaliações aos Estados Unidos, em razão de subsídios concedidos à produção de algodão.

A Camex (Câmara de Comércio Exterior) montou então um grupo de trabalho sobre o tema. O embaixador Sérgio Amaral, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo, defendeu ontem que o assunto seja conduzido por "critérios técnicos, sem ideologia".

Mudanças climáticas

Benedito Rosa também manifestou preocupação quanto a possíveis restrições relacionadas ao ambiente serem adotadas no comércio internacional após a reunião da COP-15, marcada para dezembro, em Copenhague.

Segundo ele, prospera entre empresários e representantes do governo a ideia de que é melhor o país se antecipar e apresentar metas próprias de redução de emissão de gases poluentes do que ter de fazer isso de uma "forma imposta" no futuro.


Folha de São Paulo
Autor: GITÂNIO FORTES

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