Gerenciamento de riscos ajuda na proteção do agronegócio
14 de outubro de 2009

Por causa dos atuais desafios a serem enfrentados no mercado, decorrentes do conturbado cenário econômico mundial, onde as margens operacionais estão cada vez mais pressionadas, as empresas necessitam de maior atenção quanto aos riscos inerentes ao negócio. Elas perceberam que precisam aprimorar sistemas a fim de se protegerem de riscos ou contra fraudes, que trazem resultados negativos tanto para o patrimônio quanto para a própria imagem da companhia. Mais do que isso, um bom gerenciamento de riscos faz com que as organizações possam acompanhar monitorar a realização e o cumprimento de metas e objetivos e poder redirecioná-los se for necessário.

Um setor que merece atenção especial quando se fala de gerenciamento de riscos é o de agronegócios. “Com suas particularidades, quem dirige este segmento deve estar atento a detalhes que não afetam empresas de outros setores, como sazonalidade e mão-de-obra temporária”, explica Leandro Sanches, sócio da Terco Grant Thornton responsável pela área de Gestão de Riscos. Mas o executivo lembra que, assim como em outros tipos de negócio, uma boa governança corporativa previne riscos e ajuda na obtenção de investimentos necessários ao crescimento do negócio. “No setor de agronegócios, além da governança os investidores começam a exigir o gerenciamento de riscos”, garante Leandro Sanches.

Uma das áreas que merece maior atenção do empresário deste setor é a de riscos trabalhistas. “Como as empresas trabalham com mão-de-obra temporária, apenas durante as safras, é preciso se precaver para evitar processos trabalhistas”, explica Leandro Sanches.

Nesta área, o grande diferencial entre as empresas é o custo dos produtos vendidos. Leandro Sanches afirma que a eficiência no gerenciamento de custos é decisiva para o sucesso do negócio. “Como os produtos são comoditties, ou seja, todos são iguais, o que vai diferenciar uma empresa da outra é sua competência para gerenciar os riscos que possam aumentar seu custo, o que as deixaria com margem pequena ou até negativa, tirando-a do mercado”, esclarece. “Desta forma, o empresário que consegue controlar os custos com maior eficiência ganha na margem, assim, sai na frente do concorrente.”

Muitas receitas das empresas deste setor provêm do exterior, ou seja, da exportação da produção local. Como não poderia ser diferente, a exposição às oscilações cambiais é alta, por isso a implantação de um instrumento para gerenciamento de risco torna-se imprescindível. O recurso mais usado é o hedge, que utiliza contratos futuros de moeda estrangeira como ferramenta para proteção das receitas auferidas com exportação, que poderiam ser reduzidas, às vezes significativamente, quando eventos internacionais ou mesmo internos forçam as cotações cambiais abruptamente, como o ocorrido em fevereiro de 1999, data da perda da paridade entre o dólar norte-americano e o real.

Essa operação protege contra perdas, mas também oferece riscos, como ficou provado recentemente, quando duas gigantes do setor de agrobusiness tiveram sérios problemas financeiros por causa desse instrumento. O grande problema de empresas que adotam operações de câmbio futuro e derivativo é cometer um erro de estratégia, como ultrapassar os limites previstos na política financeira. Por isso, Leandro Sanches alerta: “É muito importante que as cooperativas agropecuárias e os grandes produtores rurais tenham conhecimento de opções de estratégias de comercialização visando proteger e fortalecer sua atividade econômica, e que conheçam os prós e os contras dessas opções.” O custo financeiro de operação com hedge pode ser racionalizado com um melhor controle o peracional e acompanhamento das exposições.

Uma outra área que merece atenção especial de cooperativas e produtores rurais é a de logística. “A distribuição normalmente é complexa e cara”, afirma Leandro Sanches. Isso sem esquecer dos roubos de cargas, comum em várias regiões brasileiras. “Quem consegue reduzir as perdas e os custos com transporte obtém melhores margens.”

Leandro Sanches lembra, ainda, que o empresário do setor de agronegócios tem de se preocupar com os processos de gestão. “Uma das particularidades do agrobusiness é que este tipo de negócio tem ciclos econômicos, a produção tem época certa”, explica. Quando não está produzindo, o empresário precisa aproveitar a ociosidade para obras de expansão, por exemplo. “Se o produtor errar e deixar para fazer depois, só poderá consertar este erro na próxima entressafra.”

As informações são de assessoria de imprensa.


Agrolink

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