AL cria Frente Parlamentar de Logística de Transportes e Armazenagem
9 de outubro de 2009

Mato Grosso passa a contar com uma importante ferramenta de apoio para o setor de transporte e a armazenagem. Trata-se da Frente Parlamentar de Logística de Transportes e Armazenagem criada para propor debates, projetos e soluções para as deficiências logísticas de transportes e armazenagem em Mato Grosso.

De iniciativa do presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva (PP), o projeto de resolução determina que as competências e o funcionamento da Frente Parlamentar serão definidos em regimento próprio.

A ideia é a de promover ações que efetivem os projetos de infraestrutura no estado reduzindo, significativamente, o valor do frete. “Queremos desenvolver esse trabalho para que Mato Grosso possa ter um sistema de transporte multimodal”, afirma o presidente.

Entre os projetos pleiteados por Mato Grosso estão: Hidrovia Teles Pires-Tapajós, que se concluída reduzirá em até 70% o valor do frete. A economia com o escoamento da safra, por meio dessa hidrovia, é estimada em US$ 926 milhões por ano.

Da mesma forma, o investimento em ferrovias pode baixar o valor do frete de 30 a 40%. Há também a expectativa da construção e asfaltamento das BR-242, 158 e 163. “Com essas ações Mato Grosso e outros estados poderão se beneficiar tanto pela redução dos custos de transporte, quando pela melhoria na qualidade de vida da população”.

A Frente Parlamentar será composta por deputados e assegurará a participação da sociedade em todos os eventos realizados pela Frente.

Na justificativa, Riva cita o Movimento Pró-Logística, lançado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), no mês de agosto, que foi criado por entidades do agronegócio para debater e propor projetos às deficiências logísticas de Mato Grosso.

A iniciativa pretende promover uma mobilização social e política com a finalidade de garantir avanços para esta questão, considerada caótica no estado.

O Movimento Pró-Logística conta com integrantes como o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso (CREA-MT), além do governo estadual e prefeituras.

A falta de um sistema multimodal representa perdas na economia, pois o estado tem problemas no escoamento da produção, fato que prejudica a sua competitividade na agricultura, indústria e comércio. Segundo dados do movimento, Mato Grosso tem o preço médio do diesel (R$ 2,40) mais caro do país, o que implica em alto custo do frete.

Para escoar o produto da região de Sorriso ao porto de Paranaguá (PR), por exemplo, há uma perda de 30% do valor de origem, enquanto que no Paraná esse percentual fica em média 7% a menos ao produtor. A proposta do setor é de reduzir em US$ 20 por tonelada o valor no frete de grãos.

“Para a Frente atingir os objetivos propostos será imprescindível á participação dos diversos segmentos representativos de nossa sociedade”, observa Riva.

ESTUDOS – De acordo com o Movimento pró-Logística, a construção da hidrovia Teles Pires e Tapajós, partindo de Mato Grosso, cruzando a divisa do Amazonas em direção ao Pará, reduzirá em cerca de 500 km a distância para escoar a produção de grãos de Mato grosso em relação aos dois mil quilômetros, em média, percorridos até os portos do Sul e Sudeste do país. Além de reduzir o custo com transporte, o modal hidroviário apresenta menor impacto ambiental.

BR-242 e BR-158 – as construções dessas BRs proporcionarão a integração entre a região Médio-Norte e Leste e Nordeste do estado. Os projetos de trafegabilidade respeitam a legislação socioambiental.

Elas não passarão por áreas indígenas e os avanços previstos na produção serão possíveis utilizando-se apenas áreas já consolidadas, mantendo intocada a vegetação.

BR-163 – Conhecida como a rodovia Cuiabá/Santarém, dentro dos estados de Mato Grosso e Pará, ela percorre 2.089 quilômetros. A influência direta desta rodovia alcançará 41 dos 141 municípios de Mato Grosso.

A área de abrangência representa 30% da área territorial, onde está a metade da produção agrícola estadual.
A possibilidade de tráfego em toda a extensão da BR-163 ampliará o comércio interestadual, com a exportação e importação de produtos primários a industriais.

Ferrovia Leste-Oeste – O projeto inovador prevê a construção de uma nova ferrovia em Mato Grosso que atravessará o estado de Leste a Oeste. Saindo de Uruaçu (GO), a ferrovia cruzará os principais municípios produtores mato-grossenses, como Lucas do Rio Verde, até chegar a Vilhena, em Rondônia. Serão cerca de 1.100 quilômetros de ferrovia apenas em Mato Grosso.
Fonte: AL/MT

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