Setembro fechou em alta de 6,24% no preço do arroz
5 de outubro de 2009

O mês de setembro encerrou como o de melhor recuperação para os preços do arroz ao longo deste ano/safra, acumulando alta de 6,24%, ou R$ 1,56 por saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul, segundo dados do indicador de preços Cepea/Esalq/USP BM&F- Bovespa. O mês fechou com preço médio de R$ 28,54 para a saca de arroz em casca (58x10) no Rio Grande do Sul, ante R$ 26,98 do último dia de agosto.

Os contratos de opção do governo federal foram os grandes responsáveis pela recuperação dos preços internos, assessorados por uma conjuntura positiva para as exportações e os baixos estoques nacionais. A variação do câmbio, com a valorização do Real ante o Dólar norte-americano também fez grande diferença. A saca de arroz gaúcho fechou setembro valorizada em 13,26% na moeda estadunidense, cotada a 16,11 dólares.

SEMANA

Nos dois primeiros dias úteis de outubro as cotações do arroz valorizaram 0,22%, passando de R$ 28,54 para R$ 28,60 a saca de 50 quilos (58x10) colocada na indústria, segundo o Indicador Cepea/Esalq/USP. A média da semana ficou em R$ 28,54/50kg, o equivalente a uma valorização de 0,39% e indicando uma cotação em dólar na faixa de US$ 15,98.

O comportamento do mercado, no entanto, mudou bastante depois de quinta-feira, com a indústria se retirando do mercado e raros produtores ofertando arroz. O exercício de cerca de 85% dos contratos de opção pelos orizicultores já era esperado pelo setor, pois a operação ainda remunerava melhor do que o mercado livre.

Muitas indústrias que chegaram a ofertar valores próximos aos contratos de opção na semana que passou saíram do mercado a partir de quinta-feira (1º/10) e reduziram as cotações para os produtores na faixa de R$ 0,50 a R$ 1,00 por saca. A estratégia da indústria acabou refletindo negativamente na oferta do cereal, com os produtores também suspendendo o ímpeto de fazer negócios.

O volume de 85% de exercício dos contratos de opção representará um aporte de 500 mil toneladas, das 630 mil em contratos adquiridos pelos produtores. Isso indica que boa parte do estoque de passagem de arroz do País em fevereiro de 2010 – estimado pela Conab em 965,7 mil toneladas - estará nas mãos do governo federal, que atualmente indica cerca de 600 mil toneladas em poder do governo federal.

É importante alertar, no entanto, que o enxugamento do mercado doméstico na entressafra por meio de contratos de opção, é uma medida que apenas protela o ingresso do arroz no mercado.
À medida que a retirada deste arroz do mercado rumo aos estoques estratégicos do governo pode levar o produto a preços mais consistentes, também aumenta o risco deste produto voltar ainda durante esta entressafra ao mercado em leilões públicos.

Ou no próximo ano. O governo assume a condição de intervir no mercado quando julga-lo acima dos patamares desejáveis de preços, podendo acarretar prejuízos ao produtor. Nunca é demais lembrar que o próximo ano é de eleições nacionais e estaduais, o que aumenta o risco do governo ofertar produto para “baratear” a cesta básica.

SAFRA

Existem alguns fatores decisivos para o comportamento do mercado entre outubro de 2009 e março de 2010. O primeiro deles é o câmbio. A apreciação do Real frente ao Dólar tornará mais restrita as possibilidades do Brasil exportar volumes significativos de arroz no mercado internacional neste final de ano.

Ao mesmo tempo, é um fator que poderá determinar o direcionamento da oferta do Mercosul para o Brasil nos próximos meses, principalmente de produto argentino. É uma característica da cadeia produtiva argentina estocar-se no primeiro semestre para ofertar na entressafra nacional com preços mais significativos. O mercado brasileiro remunerando em torno de 16 dólares a saca é altamente atrativo aos produtores vizinhos.

Analistas que prevêem um mercado mais ajustado no próximo semestre alegam que os estoques do Mercosul ainda não comprometidos são pequenos. O problema é que juntando os estoques “pequenos” do Mercosul e mais o estoque de passagem do Brasil dentro do mercado brasileiro, torna-se um grande problema para a recuperação de preços. O dólar desvalorizado retira competitividade do produto nacional no mercado externo, que tem sido uma importante válvula de escape para equalizar os preços, os estoques e a oferta interna. Ou seja, o câmbio interfere tanto no mercado doméstico brasileiro como na representatividade nacional no mercado externo.

Outro fator determinante para o comportamento das cotações nos próximos cinco meses é o clima. A ocorrência do fenômeno climático “El Niño” está atrapalhando o plantio da safra gaúcha. Segundo a Emater/RS, apenas 18 mil hectares foram plantados no Rio Grande do Sul até o momento, ou seja, menos 2% de 1,1 milhão hectares previstos. Dados do Irga, indicam 24 mil hectares, mas no ano passado na mesma época, indicavam mais de 200 mil. Ou seja, há evidente atraso na área semeada em setembro, o que poderá ser recuperado em outubro se o clima for favorável.

O problema é que os meteorologistas prevêem chuvas em até 50% acima da média do mês para outubro, em razão do “El Niño”. Até o momento, evoluiu o cultivo de áreas de arroz pré-germinado, que é plantado no barro ou sob lâmina d´água. Este sistema, que domina quase 100% do sistema de cultivo em Santa Catarina, tem favorecido o avanço da semeadura naquele estado. Neste caso, preocupam mais as enxurradas, que levam sementes e nutrientes do solo. Nas lavouras de pré-germinado tem aumentado a ocorrência de ataques de pássaros.

PREÇOS

Conforme relatado anteriormente por PLANETA ARROZ, o suporte dos mecanismos de comercialização, associado à conjuntura internacional e ao bom desempenho das exportações brasileiras, fizeram a diferença no mercado interno nos últimos três meses, permitindo esta recuperação nos preços. Para outubro a expectativa é de que os preços se mantenham acima dos R$ 28,00, com o teto no valor equivalente às cotações para importação de arroz do Mercosul, hoje na faixa de R$ 29,50.

No mercado livre do Rio Grande do Sul, os preços médios do arroz em casca oscilaram entre R$ 28,00 e R$ 28,50 na maioria das praças. A exceção do Litoral Norte, onde as variedades nobres com mais de 64% de inteiros mantiveram referenciais até R$ 32,00 de cotação e as variedades “comuns” chegam a R$ 29,00.

BENEFICIADO

A saca de 60 quilos do arroz agulhinha, tipo 1, beneficiado, posto em São Paulo, manteve-se com cotação média de R$ 69,50, ICMS incluso, variando da mínima de R$ 65,70 até R$ 74,80. Valores negociados com prazo. O fardo de 30 quilos do tipo 1 elevou a cotação média para R$ 37,90 variando de R$ 35,85 a R$ 47,00 no caso de produtos superiores.

CORRETORA

A Corretora Mercado manteve referencial de R$ 28,00 para a saca de 50 quilos (58x10), em casca. O beneficiado, em 60 quilos, segue cotado a R$ 55,00, bem como os subprodutos: canjicão a R$ 27,00, quirera a R$ 21,00, a saca, e farelo de arroz a R$ 280,00 por tonelada.


Planeta Arroz

Outras Notícias
16/10/2015 Mudança no PIS/Cofins vai aumentar custos para produtores ru...
16/10/2015 ANTT define medidas para isenção de pedágio para eixos suspe...
16/10/2015 Dólar dita ritmo da venda do milho em Mato Grosso
16/10/2015 Monitoramento da Adapec mostra baixa incidência da ferrugem ...
16/10/2015 Cananéia, uma das referências do sistema brasileiro de defes...
HISTÓRIA | SERVIÇOS | LOCALIZAÇÃO | FALE CONOSCO | WEBMAIL
Todos os Direitos Reservados © 2026