MT deve deixar de ter o álcool mais barato após o zoneamento
17 de setembro de 2009

Mato Grosso poderá deixar de ter, em poucos anos, o álcool mais barato do país, título que ostenta atualmente. Esta é a previsão de Normando Corral, vice-presidente da Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso), em entrevista ao Olhar Direto nessa quarta-feira (16), sobre o zoneamento da cana-de-açúcar, que deverá proibir a expansão da indústria sucroalcooleira no Estado.

O Zae (Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar) será divulgado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, em Brasília. O projeto proíbe a expansão do cultivo da cana-de-açúcar e a implantação de novas usinas nas regiões dos biomas Pantanal, Amazônico e Bacia do Alto Paraguai. Ou seja, Mato Grosso será o Estado mais prejudicado no setor, já que, dos 141 municípios, 115 encontram-se em um desses três biomas.

Corral acrescenta que, nos poucos municípios restantes, a atividade de sustentação econômica é a produção de alimentos, mas o projeto do Zae recomenda que a cana também não seja produzida nesse tipo de área.

Mato Grosso tem 220 mil hectares dedicados à produção de cana-de-açúcar atualmente, agregando 20 mil empregos diretos. São 850 milhões de litros de etanol produzidos por ano, metade consumido aqui e metade exportado.

“Podemos sair da condição de exportador para a condição de importador em pouco tempo”, pontua Normando. Os sintomas que mais rapidamente seriam sentidos pela população são a perda de empregos no setor e, para a grande maioria, o aumento considerável do preço do álcool nos postos de combustíveis. Para quem já chegou a abastecer o carro com o litro do etanol custando apenas um real, seria uma grande mudança.

A princípio, algumas opiniões dizem que não há necessidade de muito alarde, já que as áreas que produzem podem continuar produzindo e o que ficará normatizado é que não poderá ser feita nenhuma expansão, por mínima que seja. Mas, como as restrições convergem praticamente em todo o Mato Grosso, outros estados continuariam com o setor em desenvolvimento, enquanto que, por aqui, tudo ficaria estagnado.

“Não dá para entender o que foi feito nesse projeto e como permitiram que isso tivesse sido feito. O governo do Estado, a Assembleia Legislativa e outras autoridades não podem deixar isso acontecer. Hoje proíbem a cana. Amanhã proíbem o gado”, diz Corral.

O vice-presidente afirma que o setor está mais que apreensivo com o anúncio de amanhã. Há duas possibilidades, de Lula anunciar um decreto com o Zae ou anunciar um projeto de lei. Neste último caso, ainda há chances de mudanças, já que o projeto deverá passar pela aprovação da Câmara e do Senado.

Normando Corral diz que o governador Blairo Maggi já sinalizou duas vezes no sentido do Estado entrar com uma ação de inconstitucionalidade contra a União caso o Zae seja implantado nesses moldes. “Só sei que há poucas chances de Mato Grosso sair dessa enrascada”, lamenta.


Olhar Direto..
Autor: Thalita Araújo

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