Exportação de algodão cresce
10 de setembro de 2009

Apesar da crise de crédito enfrentada pelos cotonicultores na safra 2008/2009, os números conquistados com a comercialização da pluma de algodão são satisfatórias em Mato Grosso. De janeiro a julho deste ano, o Estado exportou 123,3 mil toneladas do produto, incremento de 6,9% se comparado ao volume contabilizado no mesmo período do ano anterior, quando 115,7 mil toneladas foram negociadas. Com esta performance, as exportações mato-grossenses respondem por 52,1% de toda a venda externa brasileira, que somou 236,5 mil (t) nos sete meses.

Os dados sobre a produção de algodão fazem parte do primeiro Boletim do Algodão, elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Entre os principais mercados importadores do algodão estadual estão a Indonésia, que comprou 34,301 mil/t do produto este ano. Em segundo lugar está a Coréia do Sul, com 18,654 mil/t, seguido pela China com 9,739 mil/t e Espanha que comprou 9,715 mil/t.

"Isso se deve às várias ações realizadas pela associação com o objetivo de ampliar o mercado externo do algodão", conta o vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Carlos Ernesto Augustin, ao acrescentar que recentemente a diretoria da entidade esteve em vários países asiáticos para verificar a aceitação do produto estadual. Ele diz ainda que os importadores compram o algodão em pluma e o beneficiam em indústrias de fiação, localizados naqueles países.

Mas, mesmo com números positivos, o desempenho do setor do algodão poderia ter sido melhor, não fosse a falta de recursos disponíveis no mercado, decorrente da crise financeira mundial. "Os produtores não tiveram acesso ao crédito e tiveram de diminuir a área plantada, que reduziu 360 hectares", lembra o vice-presidente da Ampa. Como consequência de menos investimentos na lavoura, a produção também caiu, baixando de 2 milhões de toneladas na safra 2007/2008 para 1,488 milhão de toneladas na temporada atual. Conforme o Imea, 98% da produção estadual já foi colhida.

O próximo ciclo começa no fim de novembro deste ano. Augustin adianta que para a safra 2009/2010, as perspectivas não apontam para uma recuperação na área plantada registrada na safra 08/09. "Pelas conversas que estamos tendo com os produtores, tudo indica que não haverá alteração na área plantada, pois o crédito continua difícil. Isso gera insegurança e por isso não há indícios de aumento de área".

Um dos pontos favoráveis que os cotonicultores estaduais terão para o próximo ano agrícola é a redução no preço dos insumos. Levantamentos feitos pelo instituto na região de Campo Verde, por exemplo, apontam para uma progressiva e significativa desvalorização em alguns dos fertilizantes usados na produção de algodão. As reduções estão entre 30% e 62% em relação aos preços praticados no ano passado, mas depender do produto.


Gazeta Digital
Autor: Fabiana Reis

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