Pré-sal não deve tirar competitividade do álcool, crê Tolmasquim
4 de setembro de 2009

O aumento esperado da produção do petróleo com o desenvolvimento da produção no pré-sal não deverá tornar o Brasil um país mais poluidor, nem deve afetar o consumo do álcool combustível no mercado brasileiro.

A opinião é de Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), para quem o etanol será sempre competitivo em relação à gasolina com o preço do barril de petróleo acima dos US$ 40.


"O uso principal do petróleo no país é no transporte. E no transporte, o etanol é competitivo em relação à gasolina tranquilamente com o petróleo a US$ 40", disse Tolmasquim, que participou que participou de seminário promovido pela Apimec-RJ.


"O Brasil tem uma política de manter o preço interno (da gasolina) vinculado ao mercado externo e é difícil imaginar que tenhamos no mundo um preço do petróleo a esse valor", acrescentou.


A tendência, segundo Tolmasquim, é que permaneça no futuro a relação existente hoje, quando 75% dos consumidores que têm carro "flex fuel" utilizam etanol como combustível.


"A tendência é que continue a ter uma quantidade de etanol grande na matriz e que ela não seja substituída pela gasolina. No setor elétrico, idem", ressaltou.


De acordo com o executivo, a tendência é que grande parte do petróleo do pré-sal, seja óleo cru, derivados ou produtos petroquímicos, sejam exportados.


Tolmasquim frisou que o crescimento do etanol na matriz energética brasileira tem uma relação maior com o crescimento econômico do que com a competitividade com relação à gasolina. A EPE prevê que, em 2017, o consumo de etanol no Brasil atinja 64 bilhões de litros por ano.


O representante da EPE acredita que, a exemplo do que ocorreu no leilão de A-3, as usinas termelétricas a óleo não tenham competitividade para participar do próximo leilão de A-5, previsto para dezembro, que licitará empreendimentos que deverão gerar energia a partir de 2014.


Sobre a Usina de Belo Monte, Tolmasquim explicou que as audiências públicas começarão na semana que vem.


(Rafael Rosas | Valor Online )


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