EUA querem financiar petróleo e hidrelétricas no Brasil, diz ministério
4 de agosto de 2009

O governo dos Estados Unidos quer financiar os setores de petróleo e energia hidrelétrica no Brasi por meio do Exim Bank e já conversa com a Petrobras sobre o tema, afirmou nesta terça-feira o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

Segundo ele, a proposta, que está ainda em um estágio inicial, já havia sido feita em recente visita de autoridades do ministério aos EUA e foi repetida durante reunião entre o ministro Edison Lobão e o conselheiro norte-americano de Segurança Nacional, general James Jones.


"O Exim Bank está disposto a investir no Brasil em linhas de financiamento tanto em petróleo como em hidrelétricas", disse a jornalistas o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, depois de participar da reunião entre Jones e Lobão.


Zimmermann ressaltou que os recursos seriam "bem-vindos", já que a estatal quer aumentar sua capacidade para explorar a camada pré-sal. Ele não revelou, no entanto, detalhes sobre as negociações.


Em abril, a Petrobras obteve 2 bilhões de dólares do Exim Bank, instituição do governo americano voltada ao financiamento do comércio exterior. A companhia também já pegou um empréstimo de 10 bilhões de dólares da China.


"Os EUA também têm o interesse em abrir linhas de crédito. A Petrobras está conversando", afirmou.


Em coletiva na semana passada, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse que poderia estender o empréstimo de 2 bilhões de dólares para 5 bilhões de dólares, mas não deu detalhes.


PRÉ-SAL


No encontro, disse Zimmermann, as autoridades brasileiras fizeram uma apresentação sobre a situação do setor de petróleo no país aos americanos, mas não entraram em detalhes sobre o novo marco regulatório do segmento. Como o tema ainda está em discussão pelo governo, ponderou o secretário, discuti-lo com os EUA seria uma "ingerência" nos assuntos internos do Brasil.


"Foi uma apresentação sobre todo o aspecto, o setor de petróleo no Brasil como está hoje", comentou, lembrando que o tema de segurança energética é de responsabilidade de Jones, por isso o interesse do general na matéria.


"Foi conversado em linhas gerais a estratégia brasileira para a parte energética."


A equipe ministerial que elabora o novo modelo do setor deve entregar uma proposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira.


Integrantes do Ministério de Minas e Energia também mostraram aos enviados americanos como o sistema elétrico interligado do país funciona, tema de interesse do governo dos


EUA.


Segundo o secretário, foi conversado ainda sobre a possibilidade da parceria executada por Brasil e EUA em países em desenvolvimento --atualmente focada na produção de etanol-- ser ampliada.


"Há uma tendência também de aumentar essa parceria na parte de hidrelétricas", afirmou.


Zimmermann assegurou que não constou da pauta da reunião a demanda do Brasil de ver reduzida as tarifas impostas pelos EUA para a importação do etanol nacional, assim como eventuais parcerias no segmento da energia nuclear.


Jones se reunirá ainda com os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Dilma Rousseff (Casa Civil), o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, e o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.


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