Barreiras para exportação
24 de julho de 2009

Representantes do governo brasileiro já fizeram sete visitas ao país este ano para tratar do tema com o intuito de que não haja segmentação das compras do produto a partir do próximo ano, quando o sistema expira, caso não seja renovado. A proposta levada pelo Brasil, segundo o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, do Ministério da Agricultura, Célio Porto, que chegou na última quarta-feira (22/07) da mais recente missão à Rússia, será discutida na próxima semana, durante reunião multilateral da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra (Suíça).

 

"O que o Brasil quer é uma cota única, com apenas um tipo de tarifa. Assim, quem chegar primeiro ou for mais competitivo, leva", explicou. Atualmente, a Rússia privilegia a União Europeia e os Estados Unidos, que, juntos, têm direito a 98% do mercado da carne de aves, 83% do de bovinos e 67% do de suínos. "O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango e de boi e disputa apenas 2% do mercado (russo), no primeiro caso, e 17%, no segundo", comparou. Os principais concorrentes diretos do Brasil, por esse sistema, são Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai. O que o Brasil exporta fora da cota "outros", em que está inserido, é sobretaxado. No caso do frango, o imposto é de 95%; no de bovinos, de 35%; e no de suínos, de 75%.

 

Ocorre que 50% das exportações de carne bovina brasileira são para a Rússia. "É o mercado do qual mais dependemos", avaliou o secretário. A alegação da Rússia é a de que, com uma tarifa única, haveria uma oferta muito forte ou uma demanda exagerada pelo produto, o que, neste caso, poderia causar inflação, justamente em um momento de crise financeira internacional. Entendemos que o momento é de crise e que há uma grande variação cambial", disse Célio Porto. "Concordamos com uma cota global, ainda que tenham forte subsídio para a produção doméstica, mas não aceitamos que haja uma cota carimbada por país", continuou.

 

Porto salientou que um dos argumentos usados pelo Brasil na negociação é o de que 98% das exportações para a Rússia nos primeiros seis meses deste ano foram concentradas em carne, soja e açúcar. No período, houve uma queda de 38% no volume, que refletiu, segundo ele, não apenas o efeito do preço, mas também quantidade menor de importações. Já da Rússia para o Brasil, prosseguiu o secretário, a queda foi de 75% - o principal produto vendido para o Brasil é fertilizante. "O comércio está muito desbalanceado para o Brasil", comparou.

 

O secretário lembrou que, da mesma forma que o Brasil lidera a proposta de mudança, seguido por Austrália e Canadá, há uma pressão grande do bloco europeu e dos Estados Unidos para que tudo permaneça como está. A expectativa do Ministério da Agricultura é a de que a resposta da Rússia finalmente seja dada na próxima semana, no encontro de Genebra. Ainda que não haja um limite formal para um aviso de mudança ou continuidade, é preciso de uma posição final russa até outubro a fim de não prejudicar o comércio do país com outras nações

 

 
Fonte: Suinocultura Industrial
 

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