Dólar cai 1,07% e fecha o dia cotado a R$ 1,943.
5 de junho de 2009

O dólar voltou a cair ante o real nesta quinta-feira, atento a ingressos de recursos e ao bom humor nos mercados acionários. No início da sessão, a moeda americana operou volátil, acompanhando o vaivém das bolsas de valores dos Estados Unidos. No meio do dia, entretanto, a divisa consolidou a baixa que prevaleceu até o fechamento.

O dólar caiu 1,07%, cotado a R$ 1,943 para venda, após chegar a subir 0,51% pela manhã.

Na véspera, após oito sessões consecutivas de queda, a moeda americana subiu pouco mais de 2%.

"Acredito que hoje especificamente (a baixa do dólar) seja mais por influência externa. As bolsas nos Estados Unidos estão subindo e as commodities também. Tudo isso contribui para a queda do dólar", avaliou Bruno Conte de Lima, consultor de gerenciamento de risco da FCStone Consultoria, em Campinas.

Lima ressaltou a influência dos mercados acionários americanos. A alta era justificada pela força dos setores financeiro e de energia.

Os investidores reforçaram a compra de ações depois da divulgação de dados que mostraram uma queda no número de pedidos de auxílio-desemprego na semana passada, ao mesmo tempo em que um relatório revelou aumento da produtividade no primeiro trimestre.

Os bons números dos EUA também impulsionaram o petróleo. Em Nova York, os futuros da commodity fecharam em alta de 4%.

Lima também lembrou que as principais moedas têm se valorizado ante o dólar. De acordo com ele, esse movimento reflete uma melhora nas perspectivas econômicas em geral, o que estimula investidores a saírem de ativos considerados mais seguros, como os Treasuries, e migrarem para aqueles de maior risco.

Segundo os dados mais recentes da BMF Bovespa, o saldo líquido de compra de ações fechou maio em R$ 6,1 bilhões. No ano, o número chega a R$ 11,9 bilhões.

No momento em que as operações no mercado de câmbio se encerraram, o dólar caía ante uma cesta com as principais divisas globais.

Nesta tarde, o Banco Central realizou mais um leilão de compra de dólares no mercado à vista, sem efeito significativo sobre as cotações. Desde 8 de maio, o BC tem feito esse tipo de operação em todas as sessões regulares.

"Pelos volumes que o Banco Central tem comprado, não acredito que diretamente ele esteja tentando conter o dólar, apesar de achar que indiretamente o BC se preocupa sim com a valorização excessiva do real", considerou Lima.

Na véspera, a autoridade monetária divulgou que comprou US$ 2,748 bilhões entre 8 e 27 de maio por meio dos leilões no mercado à vista.

Lima acredita que em junho o dólar deve manter a trajetória de queda, caso os prognósticos otimistas para o Brasil se sustentem. Ele ponderou, entretanto, que a crise ainda não chegou ao fim.

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