"No Brasil, o combustível alternativo é a gasolina", diz presidente da Petrobras.
3 de junho de 2009

José Sérgio Gabrielli de Azevedo, presidente da Petrobras, acredita que em pouco tempo, a gasolina será o combustível alternativo e não o etanol, devido o crescimento da frota de veículos flex. “No Brasil, o combustível alternativo é a gasolina”, afirmou Gabrielli, durante a mesa de discussões “Biocombustíveis em um contexto global”, realizada no Ethanol Summit, cúpula organizada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), em São Paulo.

A gasolina já é um combustível secundário no Brasil, segundo o presidente da Petrobras. “Hoje menos de 50% dos veículos leves consomem gasolina.”

Segundo projeções da Petrobras, em três anos, o consumo de gasolina representará 17% do mercado nacional. “O etanol cresce por uma decisão do consumidor. A existência do carro flex muda o mercado. É o consumidor quem escolhe na bomba a proporção de gasolina ou etanol que ele quer”, disse Gabrielli. 

“Do ponto de vista de um produtor de gasolina, não vale a pena produzir gasolina no Brasil”, brincou Gabrielli, ressaltando que a Petrobras pretende priorizar a produção de diesel para aviação e derivados de petróleo.

Escala

Gabrielli ressaltou a realidade diferenciada do Brasil, que há mais de 30 anos, desde a implantação do programa pró-álcool, construiu uma infraestrutura para o biocombustível. “Dificilmente teremos um mercado global de etanol na escala que temos aqui no Brasil”, destacou Gabrielli.

O presidente da Petrobras acredita que o mercado mundial crescerá timidamente, estimulado principalmente pela venda de gasolina acrescida de uma baixa porcentagem de etanol. “Nos próximos anos, o etanol crescerá como uma mistura na gasolina e não como um combustível”, explicou Gabrielli.

Exportações

A estratégia de voltar, “prioritariamente”, a produção de etanol da companhia para as exportações se deve ao fato de que a Petrobras calcula que o mercado externo crescerá entre 15% e 20% até 2020. “Essa porcentagem é gigantesca. Queremos parte deste mercado”, explica Miguel Rosseto, presidente da Petrobras Biocombustíveis e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário.

De acordo com os dois presidentes, o mais provável é que o mercado externo de etanol cresça devido a mistura do combustível à gasolina, o que contribui para a diminuição das emissões de gás carbono.

EUA

O presidente da Petrobras alfinetou o biocombustível americano, feito à base de milho e com menos produtividade por hectare plantado. “O etanol de milho é ineficiente do ponto de vista energético se comparado com o etanol feito da cana”, criticou.

Gabrielli acredita que o debate ambiental irá determinar a velocidade das mudanças quanto ao mercado de etanol nos EUA. Mas não vê essa perspectiva com muito otimismo: “Não acredito que teremos mudanças significativas no curto prazo”.

Para o presidente da Petrobras, somente com políticas públicas o etanol conseguirá espaço no mercado externo. “O etanol não terá condições de crescer se não tiver uma intervenção forte do Estado”, salientou.

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